O PROTOCOLO PARA JULGAMENTO COM PERSPECTIVA RACIAL E A NEUTRALIZAÇÃO DA HERMENÊUTICA DA BRANQUITUDE: ANÁLISE CRÍTICO-COMPARATIVA

Autores

  • Paulo Sergio Weyl Albuquerque Costa Autor
  • Thiannetan de Sousa Silva Autor
  • Thiannetan de Sousa Silva Autor

DOI:

https://doi.org/10.56238/arev8n2-015

Palavras-chave:

Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial, Hermenêutica da Branquitude, Racismo, Poder Judiciário

Resumo

Nesta pesquisa, investigo de que modo o Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial, publicado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2024, enquanto instrumento de orientação hermenêutica, pode servir para o combate ao racismo estrutural. Assim, tem-se como objetivo compreender se o Protocolo é capaz de produzir outro olhar para os processos que envolvem diretamente questões raciais, como os crimes raciais. Parte-se do pressuposto de que o sistema de justiça é uma das engrenagens do racismo estrutural, reproduzindo discursos e práticas que sustentam as desigualdades raciais. Para a análise, adota-se o raciocínio dedutivo como método de pesquisa, do tipo qualitativa, articulando revisão bibliográfica a partir de autores do pensamento crítico-decolonial brasileiro. Outrossim, mediante a aplicação do método comparativo, realizou-se um cotejo entre o habeas corpus (HC) nº 929.002/AL, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que utilizou o Protocolo como farol interpretativo, e as decisões proferidas no âmbito do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA), desde a publicação da referida diretriz. Busca-se discutir o potencial do Protocolo como instrumento jurídico apto a introduzir uma nova racionalidade na magistratura e contribuir para o debate sobre a efetividade das políticas judiciárias voltadas à promoção da equidade racial.

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Publicado

2026-02-03

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Como Citar

COSTA, Paulo Sergio Weyl Albuquerque; SILVA, Thiannetan de Sousa; SILVA, Thiannetan de Sousa. O PROTOCOLO PARA JULGAMENTO COM PERSPECTIVA RACIAL E A NEUTRALIZAÇÃO DA HERMENÊUTICA DA BRANQUITUDE: ANÁLISE CRÍTICO-COMPARATIVA. ARACÊ , [S. l.], v. 8, n. 2, p. e12035, 2026. DOI: 10.56238/arev8n2-015. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/12035. Acesso em: 7 fev. 2026.