ACOMPANHAMENTO ECOGRÁFICO DE PACIENTES COM DISPOSITIVO INTRAUTERINO (DIU) EM HOSPITAL PÚBLICO DO DISTRITO FEDERAL: ANÁLISE RETROSPECTIVA DE 1.537 EXAMES
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n1-072Palavras-chave:
Dispositivos Intrauterinos, Ultrassonografia, Contracepção, Saúde PúblicaResumo
Objetivo: Avaliar a frequência e a eficácia do acompanhamento ecográfico em pacientes usuárias de dispositivo intrauterino (DIU), comparando as taxas de posicionamento heterotópico entre inserções guiadas por ultrassonografia e inserções às cegas, além de analisar desfechos clínicos associados em um hospital público. Métodos: Estudo observacional retrospectivo realizado no Hospital Regional de Taguatinga (HRT-DF), entre janeiro de 2022 e dezembro de 2024. Foram revisadas 1.537 ultrassonografias transvaginais, selecionando-se 301 exames específicos para avaliação de DIU. As pacientes foram estratificadas em dois grupos: inserção guiada por ecografia (n=152) e inserção ambulatorial sem guia (n=149). Os desfechos incluíram a classificação do posicionamento (normoposicionado vs. heterotópico), necessidade de reposicionamento, expulsão e taxas de retirada. Resultados: A prevalência geral de DIU heterotópico foi de 21,3% (64/301). O grupo com inserção guiada apresentou menor taxa de heterotopia (19,1%) em comparação ao grupo sem guia (23,5%). No seguimento de 164 pacientes que retornaram, 29,9% evoluíram para retirada do dispositivo e 10,4% necessitaram de reposicionamento. A estratificação etária evidenciou maior taxa de mal posicionamento em mulheres ≤29 anos (~22%) em comparação com mulheres ≥30 anos (~19%). Conclusão: A inserção guiada por ecografia demonstrou maior precisão no posicionamento do DIU. O acompanhamento ecográfico sistemático mostrou-se fundamental para a detecção precoce de complicações, especialmente em mulheres jovens, sugerindo a necessidade de protocolos de monitoramento para garantir a eficácia contraceptiva na rede pública.
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