A SUSTENTABILIDADE COMO CONDIÇÃO PARA A CONSTRUÇÃO DA EQUIDADE URBANA A PARTIR DO LEGADO FERROVIÁRIO DE BAURU/SP
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev7n12-327Palavras-chave:
Sustentabilidade Urbana, Equidade Espacial, Justiça Ambiental, Mobilidade como Direito, Patrimônio Ferroviário, Planejamento Urbano CríticoResumo
O presente artigo propõe que a sustentabilidade, para além de sua dimensão ambiental, constitui um paradigma fundamental e condição indissociável para a realização plena dos direitos sociais e a edificação de uma equidade urbana substantiva. Partindo de uma abordagem teórica interdisciplinar, que articula a teoria crítica urbana, a economia política do espaço e os estudos sobre justiça ambiental, o trabalho analisa a cidade de Bauru-SP como um microcosmo das contradições e potencialidades do desenvolvimento brasileiro. O foco reside no legado ferroviário da cidade, compreendido não como mero relicário histórico, mas como um ativo estratégico para uma reconversão socioespacial sustentável. Argumenta-se que a revitalização tecnologicamente orientada desta infraestrutura, integrada a políticas públicas redistributivas — como o Sistema Único de Mobilidade (SUM) e a Tarifa Zero —, configura-se como um vetor catalisador para a superação de desigualdades socioespaciais, a democratização do acesso à cidade e a efetivação de direitos sociais como o transporte, a moradia e o meio ambiente ecologicamente equilibrado. Conclui-se que a sustentabilidade, longe de ser uma dimensão setorial, emerge como princípio ordenador de um novo pacto urbano, no qual progresso técnico, memória coletiva e justiça social se conjugam para a construção de cidades verdadeiramente inclusivas e humanizadas.
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