O DESENHO E SEU SIGNIFICADO PARA SIZA: IMAGINAR A EVIDÊNCIA

Autores

  • Rodrigo van Enck Centini Autor
  • Rodrigo Cristiano Queiroz Autor

DOI:

https://doi.org/10.56238/arev7n12-320

Palavras-chave:

Álvaro Siza Vieira, Esquisso, Intencionalidade, Evidência

Resumo

Álvaro Siza Vieira (1933 - ) sempre foi um arquiteto identificado com o uso intensivo do desenho gestual como instrumento projetivo para sua arquitetura. Tal característica, somada à expressividade dos mesmos e à correspondência latente de seus desenhos projetivos (croquis, ou “esquissos”, em Portugal) com a arquitetura posteriormente construída, levantou o interesse deste pesquisador em aprofundar as relações observáveis entre dois momentos arquitetônicos: a percepção sobre um objeto gráfico que exprime intenções e a posterior percepção do espaço construído a partir destas intenções. A necessidade de uma base teórica consistente para estabelecer diálogos que possam exprimir evidências de tais fenômenos, nas diferentes arquiteturas sizianas, levou a pesquisa para a fenomenologia de Edmund Husserl (1859 - 1938). Este artigo, que se origina de um capítulo da dissertação de mestrado e se desenvolve sob os encaminhamentos do doutorado (que por sua vez trata do problema do esboço para a arquitetura ao buscar responder à seguinte pergunta: qual o potencial poder de representação da intencionalidade do arquiteto em um esboço, em seu objetivo de realizar a obra acabada?), foca na análise do primeiro fenômeno. Esta percepção dos esquissos de Siza acontece sob a divisão de duas categorias propostas, mas que de modo algum abarcam a totalidade do vocábulo do arquiteto, são elas: “figuras humanas” e “fugas meditativas”. Tais categorias se originam, sob o ponto de vista do observador dos esquissos, de duas das maiores recorrências identificáveis de aparições figurativas em seus desenhos, mas que, como um risco comum a toda classificação no campo das artes, se sobrepõem muitas vezes. O artigo propõe ainda a aproximação aos esquissos concomitantemente à leitura dos relatos do próprio arquiteto sobre seu processo projetivo. Tais correlações, sob a estrutura do pensamento fenomenológico baseado nos conceitos de “intencionalidade” e “evidência” em Edmund Husserl, desenvolvidos majoritariamente em Meditações Cartesianas (1931), fazem um convite de ajuste do nosso olhar para representações gráficas gestuais que permita o aprofundamento em determinadas experiências perceptivas reveladoras do potencial do croqui, enquanto instrumento projetivo de rápida revelação da “consciência” - esta também como entendida por Husserl. Por fim, a pesquisa de doutorado usa como metodologia de apoio à fenomenologia husserliana aplicada diretamente ao objeto, a psicologia da forma, percepção visual, cognição/processo criativo e também análises críticas sobre o próprio arquiteto estudado, bem como seu pensamento expressado em suas entrevistas já publicadas e tem até o momento produzido artigos acadêmicos apresentados em seminários.

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Publicado

2025-12-29

Edição

Seção

Artigos

Como Citar

CENTINI, Rodrigo van Enck; QUEIROZ, Rodrigo Cristiano. O DESENHO E SEU SIGNIFICADO PARA SIZA: IMAGINAR A EVIDÊNCIA. ARACÊ , [S. l.], v. 7, n. 12, p. e11473, 2025. DOI: 10.56238/arev7n12-320. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/arace/article/view/11473. Acesso em: 22 jan. 2026.