DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA DEPRESSÃO EM IDOSOS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DE INTERVENÇÕES FARMACOLÓGICAS E NÃO FARMACOLÓGICAS
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n59-041Palavras-chave:
Depressão em Idosos, Psicofarmacologia Geriátrica, Terapia Cognitivo-Comportamental, Escala de Depressão Geriátrica, FragilidadeResumo
Objetivo: O Transtorno Depressivo Maior (TDM) e a depressão subclínica na população geriátrica representam desafios crescentes para a saúde pública global. A apresentação clínica atípica e as complexidades fisiológicas do envelhecimento dificultam o manejo tradicional. O objetivo desta revisão sistemática é consolidar as evidências atuais sobre a eficácia, segurança e limitações das abordagens farmacológicas e não farmacológicas, bem como analisar os entraves diagnósticos e a intersecção com o declínio cognitivo em idosos. Métodos: Realizou-se uma revisão sistemática da literatura a partir de ensaios clínicos randomizados, meta-análises e estudos de coorte. A análise focou no balanço risco-benefício dos antidepressivos, na eficácia de intervenções psicológicas e de estilo de vida, e nas propriedades psicométricas da Escala de Depressão Geriátrica (GDS-15). Resultados: A evidência demonstra que a eficácia dos antidepressivos tradicionais (ISRS e IRSN) em idosos frágeis é marginal e frequentemente sobrepujada pela iatrogenia, notadamente o aumento do risco de quedas. Moléculas multimodais, como a vortioxetina, destacam-se pela preservação cognitiva. Paralelamente, as intervenções não farmacológicas — incluindo a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), teleassistência e adesão à Dieta Mediterrânea — apresentam eficácia robusta, comparável à observada em adultos jovens. O rastreio diagnóstico é dificultado por apresentações atípicas e comorbidades (ex: incontinência urinária), sendo que o uso da GDS-15, sem a calibração adequada do ponto de corte para mudança clínica mínima, pode levar a superestimativas diagnósticas. A depressão geriátrica atua de forma bidirecional com síndromes demenciais, acelerando a deterioração funcional. Conclusões: O manejo da depressão tardia exige a transição para um modelo de cuidados escalonados. Priorizam-se o rastreio rigoroso e intervenções comportamentais e dietéticas nas fases iniciais, reservando-se a farmacoterapia de precisão para casos moderados a graves, com monitoramento estrito do risco de eventos adversos sistêmicos e cognitivos.
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