GARANTIAS TRABALHISTAS ENQUANTO MECANISMOS QUE AUXILIAM NA PREVENÇÃO DO BURNOUT
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n56-045Palavras-chave:
Burnout, Direitos Trabalhistas, Saúde Mental, Jornada de Trabalho, Saúde do TrabalhadorResumo
O adoecimento mental relacionado ao trabalho tem se intensificado nas últimas décadas, especialmente diante das transformações nas formas de organização laboral e do agravamento das condições psicossociais durante a pandemia da COVID-19. Transtornos como ansiedade, depressão, crises de pânico e a síndrome de burnout passaram a ocupar lugar central nos debates da saúde coletiva, exigindo abordagens que ultrapassem intervenções clínicas individuais. Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo analisar os direitos trabalhistas como instrumentos preventivos do adoecimento psíquico, destacando sua relevância para a proteção da saúde mental dos trabalhadores. Trata-se de um estudo de natureza bibliográfica, fundamentado em produções científicas das áreas da saúde, psicologia do trabalho e legislação trabalhista, publicadas entre 2015 e 2025. A análise evidencia que dispositivos como a limitação da jornada diária e semanal, o descanso semanal remunerado, os intervalos intrajornada e interjornada e o direito às férias, constituem mecanismos estruturais de cuidado, favorecendo o descanso físico e mental e a redução do estresse ocupacional. Observa-se que o desrespeito sistemático a esses direitos contribui para a sobrecarga mental, a exaustão emocional e o esvaziamento do sentido do trabalho. Conclui-se que a efetivação dos direitos trabalhistas deve ser compreendida como estratégia de promoção da saúde mental, reforçando a necessidade de ações interdisciplinares e políticas públicas que articulem saúde, trabalho e proteção social.
Downloads
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde do trabalhador e da trabalhadora. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_trabalhador_trabalhadora.pdf. Acesso em: 10 jan. 2026.
BRASIL. Ministério da Saúde. A saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras no contexto da pandemia de COVID-19. Brasília: MS, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-mental. Acesso em: 10 jan. 2026.
DEJOURS, Christophe. A loucura do trabalho: estudo de psicopatologia do trabalho. 6. ed. São Paulo: Cortez, 2017.
DEJOURS, Christophe; ABDOUCHELI, Elisabeth; JAYET, Christian. Psicodinâmica do trabalho: contribuições da escola dejouriana à análise da relação prazer, sofrimento e trabalho. São Paulo: Atlas, 2018.
MASLACH, Christina; LEITER, Michael P. Burnout at work: a psychological perspective. New York: Psychology Press, 2016.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Classificação Internacional de Doenças – CID-11. Genebra: OMS, 2019. Disponível em: https://icd.who.int. Acesso em: 10 jan. 2026.
ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO (OIT). Trabalhar melhor para cuidar da saúde mental. Genebra: OIT, 2022. Disponível em: https://www.ilo.org. Acesso em: 10 jan. 2026.
SELIGMANN-SILVA, Edith. Trabalho e desgaste mental: o direito de ser dono de si mesmo. São Paulo: Cortez, 2019.
SOUZA, Diego de; MINAYO-GOMEZ, Carlos. Saúde do trabalhador e saúde mental: desafios contemporâneos. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 26, n. 10, p. 4321–4330, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-812320212610.10842021.
VASCONCELOS, Eduardo Mourão; COSTA, Ana Maria. Saúde mental e trabalho no contexto da pandemia. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, São Paulo, v. 46, e18, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/2317-6369000009221.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Mental health at work: policy brief. Geneva: WHO, 2022. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/WHO-MHP-HPS-22.01. Acesso em: 10 jan. 2026.