DESEMPENHO DIAGNÓSTICO DA RESSONÂNCIA MAGNÉTICA DE CORPO INTEIRO EM COMPARAÇÃO COM A TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA NO ESTADIAMENTO DE PACIENTES ONCOLÓGICOS
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n56-029Palavras-chave:
Neoplasias, Imagem por Ressonância Magnética, Tomografia Computadorizada por Raios X, Estadiamento de NeoplasiasResumo
Introdução: O estadiamento preciso é essencial para a tomada de decisão terapêutica e a avaliação prognóstica em oncologia, e os métodos de imagem seccionais desempenham papel central nesse processo. A ressonância magnética de corpo inteiro tem emergido como uma alternativa livre de radiação à tomografia computadorizada, com potenciais vantagens no contraste de tecidos moles e na avaliação da medula óssea. No entanto, seu desempenho diagnóstico em relação à tomografia computadorizada em diferentes tipos tumorais e sítios metastáticos permanece objeto de investigação contínua.
Objetivo: O objetivo principal desta revisão sistemática foi comparar o desempenho diagnóstico da ressonância magnética de corpo inteiro com a tomografia computadorizada no estadiamento de pacientes oncológicos. Os objetivos secundários incluíram avaliar as taxas de detecção de metástases linfonodais e à distância, analisar o desempenho entre diferentes tipos de câncer, examinar a concordância entre os métodos, verificar o impacto no manejo clínico e avaliar o grau de certeza das evidências que sustentam cada estratégia de imagem.
Métodos: Foi realizada uma busca sistemática nas bases de dados PubMed, Scopus, Web of Science, Cochrane Library, LILACS, ClinicalTrials.gov e na International Clinical Trials Registry Platform. Estudos que compararam a ressonância magnética de corpo inteiro e a tomografia computadorizada para o estadiamento oncológico foram incluídos com base em critérios de elegibilidade predefinidos. A síntese dos dados foi conduzida de forma qualitativa, com comparação estruturada dos desfechos diagnósticos e da qualidade metodológica.
Resultados e Discussão: Um total de 20 estudos atendeu aos critérios de inclusão e foi analisado nesta revisão. De modo geral, a ressonância magnética de corpo inteiro demonstrou sensibilidade comparável ou superior à tomografia computadorizada na detecção de doença metastática, particularmente em ossos e tecidos moles, enquanto a tomografia computadorizada manteve vantagens na detecção de lesões pulmonares. A heterogeneidade entre os estudos foi moderada, e a certeza das evidências variou de baixa a moderada, dependendo do tipo tumoral e do desfecho avaliado.
Conclusão: A ressonância magnética de corpo inteiro representa uma alternativa viável à tomografia computadorizada para o estadiamento oncológico em populações selecionadas de pacientes, oferecendo elevado desempenho diagnóstico sem exposição à radiação ionizante. Sua integração à prática clínica deve ser orientada pelas características tumorais, disponibilidade do método e discussão multidisciplinar.
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