CONDIÇÕES DE VULNERABILIDADE E SAÚDE MENTAL NA FAMÍLIA: UM ESTUDO DE CASO COM A ESCALA DE COELHO-SAVASSI E FIRO
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n57-030Palavras-chave:
Saúde Mental, Vulnerabilidade Social, Avaliação Familiar, FIRO, AdolescênciaResumo
O presente estudo analisa o caso de uma adolescente de 14 anos, inserida em um contexto marcado por pobreza estrutural, violência doméstica e fragilidades na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A adolescente apresenta histórico de ansiedade desde a infância, agravado por automutilação, ideação suicida e bullying escolar, em um contexto familiar permeado por vínculos frágeis, conflitos geracionais e uso inadequado de psicotrópicos. Trata-se de um estudo de caso qualitativo e descritivo, conduzido por meio de entrevista semiestruturada, visita domiciliar e análise documental. Para análise, foram utilizados dois instrumentos complementares: a Escala de Coelho-Savassi, aplicada de forma dialogada para identificar risco sociofamiliar, e o instrumento Fundamental Interpersonal Relations Orientation (FIRO), utilizado de modo interpretativo para compreender padrões relacionais nas dimensões inclusão, controle e intimidade. Os principais achados indicam risco máximo (R3) decorrente de múltiplas vulnerabilidades estruturais, como ausência de saneamento, alcoolismo paterno, instabilidade econômica, moradia inadequada e histórico de violência. No plano relacional, observam-se conflitos entre mãe e filha, baixa intimidade emocional e controle familiar marcado por violência e reatividade. Esses elementos se articulam à precariedade da rede de cuidados, marcada por filas de espera no Centro Atenção Psicossocial Infantil (CAPSi) e insuficiência institucional. O estudo evidencia a necessidade de ações intersetoriais e de metodologias avaliativas integradas que qualifiquem o cuidado multiprofissional na Atenção Primária à Saúde (APS), contribuindo para intervenções sensíveis e contextualizadas em saúde mental de adolescentes em situação de vulnerabilidade.
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