FUNÇÕES EXECUTIVAS EM CRIANÇAS APÓS O ENSINO REMOTO: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE CONTEXTOS ESCOLARES PÚBLICO E PRIVADO
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n56-034Palavras-chave:
Funções Executivas, Desenvolvimento Infantil, Contexto Escolar, AprendizagemResumo
As Funções Executivas constituem um conjunto de habilidades cognitivas de alta ordem fundamentais para a autorregulação do comportamento, a aprendizagem escolar e a adaptação social, sendo altamente sensíveis às condições ambientais e educacionais. O presente estudo teve como objetivo comparar o funcionamento das Funções Executivas em crianças de 9 e 10 anos, provenientes de uma escola pública e de uma escola privada, considerando o impacto do ensino remoto vivenciado durante a Educação Infantil. Trata-se de um estudo empírico de abordagem quantitativa, realizado por meio da aplicação do Behavior Rating Inventory of Executive Function (BRIEF), instrumento de avaliação ecológica respondido por pais/responsáveis e professores. A amostra foi composta por 144 protocolos válidos, e os dados foram analisados a partir de estatísticas descritivas e inferenciais, considerando os índices centrais do instrumento: Índice de Regulação Comportamental (BRI), Índice de Metacognição (MI) e Índice Global de Funções Executivas (GEC). Os resultados indicaram que ambos os grupos apresentaram escores médios acima da norma, sugerindo dificuldades executivas leves a moderadas. Contudo, as crianças da escola pública apresentaram médias significativamente mais elevadas, especialmente nos domínios relacionados à metacognição, memória de trabalho, planejamento, organização, iniciação e monitoramento. Não foram observadas discrepâncias significativas entre as percepções de pais e professores. Conclui-se que o desenvolvimento das Funções Executivas é influenciado pelo contexto escolar, reforçando a importância de práticas pedagógicas intencionais e preventivas voltadas à promoção dessas habilidades, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade social.
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