MANEJO CIRÚRGICO DAS FRATURAS BLOW-OUT: PROTOCOLOS E TÉCNICAS RECONSTRUTIVA
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n56-027Palavras-chave:
Fratura Orbitária, Reconstrução Cirúrgica, Materiais Biocompatíveis, Planejamento Tridimensional, CAD/CAMResumo
O manejo cirúrgico das fraturas blow-out representa um desafio constante na cirurgia bucomaxilofacial e oftalmológica, devido à complexidade anatômica da órbita e à necessidade de restauração simultânea da função e da estética facial. Este estudo teve como objetivo revisar e analisar criticamente as evidências científicas publicadas entre 2015 e 2025 acerca dos protocolos cirúrgicos e das técnicas reconstrutivas empregadas no tratamento dessas fraturas. Trata-se de uma revisão narrativa integrativa da literatura, realizada nas bases de dados PubMed, SciELO e ScienceDirect, utilizando descritores combinados em português e inglês relacionados a “orbital floor fracture”, “blow-out fracture”, “reconstruction” e “surgical management”. Foram incluídos 14 artigos que atenderam aos critérios de elegibilidade, abrangendo estudos clínicos, revisões e relatos de caso. Os resultados foram organizados em cinco eixos temáticos: critérios de indicação cirúrgica, abordagens reconstrutivas, materiais empregados, resultados clínico-funcionais e inovações tecnológicas. Observou-se consenso quanto às indicações cirúrgicas, enoftalmia superior a 2 mm, diplopia persistente e aprisionamento muscular, bem como tendência ao uso de abordagens minimamente invasivas, especialmente o acesso transconjuntival e o endoscópico endonasal. Em relação aos materiais, as malhas de titânio permanecem como padrão ouro, mas materiais alternativos, como o polietileno poroso, o PMMA e o PEEK, têm mostrado bons resultados, sobretudo quando associados ao planejamento virtual e à tecnologia CAD/CAM. Conclui-se que o manejo cirúrgico das fraturas blow-out evoluiu significativamente na última década, impulsionado pelo avanço dos biomateriais e das tecnologias digitais aplicadas à reconstrução orbitária. No entanto, ainda não há consenso sobre protocolos universais, sendo necessária a realização de estudos multicêntricos e revisões sistemáticas que consolidem diretrizes clínicas baseadas em evidências robustas.
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Referências
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