LÚPUS ERITEMATOSO CUTÂNEO: ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv16n54-078Palavras-chave:
Lúpus Eritematoso Cutâneo, Lúpus Eritematoso, TerapiaResumo
O Lúpus Eritematoso Cutâneo (LEC) é uma doença autoimune com um espectro de manifestações que variam de lesões exclusivamente cutâneas a componentes do lúpus eritematoso sistêmico (LES). O manejo terapêutico visa controlar a atividade da doença e prevenir danos, impactando significativamente a qualidade de vida. Esta revisão narrativa analisa as estratégias terapêuticas atuais e emergentes para o LEC. O tratamento de primeira linha baseia-se em medidas gerais, como fotoproteção rigorosa e cessação do tabagismo, associadas a terapias tópicas, incluindo corticosteroides e inibidores da calcineurina. Sistemicamente, os antimaláricos, como a hidroxicloroquina (HCQ), permanecem como a pedra angular do tratamento, sendo os únicos, juntamente com os glicocorticoides, aprovados pela FDA para essa condição. Em casos refratários ou para facilitar a retirada de corticosteroides, agentes de segunda e terceira linha, como metotrexato, retinóides, dapsone e micofenolato mofetil (MMF), são frequentemente utilizados. Avanços recentes na compreensão da patogênese do LEC, destacando o papel central da via do interferon (IFN) tipo I, das células dendríticas plasmocitóides (pDCs) e das células B, impulsionaram o desenvolvimento de terapias-alvo. Biológicos como o anifrolumabe (anti-IFNAR) e o belimumabe (anti-BAFF), aprovados para o LES, demonstraram eficácia significativa em desfechos cutâneos (CLASI). Além disso, novas moléculas, como o litifilimabe (anti-BDCA2, direcionado a pDCs) e inibidores de pequenas moléculas, como o deucravacitinibe (inibidor de TYK2), mostraram resultados robustos em ensaios clínicos recentes, representando uma nova fronteira promissora para o tratamento do LEC.
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