SUBJETIVIDADE EM TEMPOS DE PÓS-VERDADE: O DISCURSO CAPITALISTA NA PRODUÇÃO DA LINGUAGEM, DA VERDADE E DOS FATOS
Palavras-chave:
Fake News, Subjetividade Contemporânea, Capitalismo Digital, Linguagem e Ideologia, Laço SocialResumo
Este capítulo tem como propósito examinar como diferentes fake news veiculadas em redes sociais, as categorias de linguagens, fatos e realidades que mesmo desprovidos de sentido de verdade, articulam com a ideologia capitalista e engendram novas formas de subjetividades contemporâneas. A análise busca identificar as categorias de linguagem, os regimes de enunciação e as pseudo-realidades mobilizadas por essas narrativas, observando de que modo tais elementos se tornam capazes de sustentar crenças, afetos e formas de pertencimento. Ao explorar a dinâmica entre valor de uso e valor de troca no contexto das fake news, evidencia-se que sua eficácia não reside na informação em si, mas no modo como circulam, como capturam a atenção e como são convertidas em mercadorias simbólicas pelo capitalismo de forma digital, cujo funcionamento algorítmico intensifica a lógica de viralização. Além disso, o capítulo investiga os impactos das fake news no laço social brasileiro contemporâneo, mostrando como esses discursos contribuem para a fragmentação do espaço público, para a polarização afetiva e para a construção de antagonismos imaginários que reorganizam o campo do político. Por fim, busca-se compreender como as fake news participam da produção de identidades e modelos de ação na atualidade, instaurando matrizes de subjetivação que interpelam o sujeito, modulam suas crenças e orientam suas práticas sociais. Desse modo, demonstra-se que, no ambiente hipermidiatizado, as fake news ultrapassam a mera falsificação de fatos: tornam-se dispositivos psíquicos e sociais que modelam desejos, percepções e modos de existir, ocupando uma função central na arquitetura subjetiva do contemporâneo.