RESILIÊNCIA DA FLORA NATIVA DA CAATINGA NO SERTÃO DO PAJEÚ (PE): CARACTERIZAÇÃO BOTÂNICA, IMPORTÂNCIA ECOLÓGICA E POTENCIAL PARA A APICULTURA E MELIPONICULTURA SUSTENTÁVEL
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n3-074Palavras-chave:
Abelhas sem Ferrão, Biodiversidade, Sustentabilidade, Caatinga Pernambucana, Polinização por AbelhasResumo
A Caatinga é um bioma exclusivo do semiárido brasileiro, caracterizado por elevada biodiversidade e por espécies vegetais adaptadas a condições climáticas extremas, desempenhando papel fundamental na manutenção dos serviços ecossistêmicos, especialmente a polinização. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo realizar o levantamento e a caracterização botânica de espécies vegetais com potencial apícola e meliponícola na Caatinga do Sertão do Pajeú, Pernambuco, destacando sua importância ecológica e sua contribuição para sistemas produtivos sustentáveis. O estudo foi conduzido no município de Serra Talhada (PE), entre maio e setembro de 2024, em áreas de vegetação de Caatinga localizadas na Universidade Federal Rural de Pernambuco, Unidade Acadêmica de Serra Talhada (UAST), e em seu entorno. As espécies foram reconhecidas por observações de campo, coletadas em estágio reprodutivo, herborizadas e identificadas com auxílio de chaves botânicas, literatura especializada e comparação com exsicatas em herbário. Foram identificadas dez espécies vegetais com potencial forrageiro para abelhas, abrangendo diferentes hábitos de crescimento (arbóreo, arbustivo, subarbustivo, herbáceo e trepador) e ofertando néctar, pólen ou ambos. Destacam-se Mimosa caesalpiniifolia (sabiá), Mimosa tenuiflora (jurema-preta), Astronium urundeuva (aroeira) e Triplaris gardneriana (pajeú), fundamentais para a manutenção das colônias em períodos de escassez hídrica, bem como Passiflora edulis (maracujá), que estabelece uma relação direta entre polinizadores e produtividade agrícola. Os resultados evidenciam o elevado potencial da flora nativa da Caatinga no Sertão do Pajeú e reforçam a importância da conservação dessas espécies para o fortalecimento da apicultura, da meliponicultura e da sustentabilidade ambiental no semiárido pernambucano.
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