RACIONALIDADE, CONHECIMENTO E FORMAÇÃO DOCENTE NO BRASIL: TENSÕES, DISPUTAS E CONTRIBUIÇÕES PARA UMA LEITURA CRÍTICA DA PROFISSIONALIZAÇÃO DOCENTE
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n2-075Palavras-chave:
Formação Docente, Racionalidade, Conhecimento Profissional, Currículo, Políticas EducacionaisResumo
Este artigo analisa como racionalidade e conhecimento estruturam a formação docente no Brasil entre 1988 e 2022, interpretando legislações e políticas públicas à luz de dois constructos teóricos elaborados para este estudo: a pirâmide dos conhecimentos e a articulação microcosmo–macrocosmo. A partir da aproximação entre a tipologia de racionalidades discutida por Diniz-Pereira e as categorias de conhecimento sistematizadas por Shulman, argumenta-se que a hegemonia da racionalidade técnica permanece como força estruturante dos currículos, restringindo a ascensão formativa e comprimindo os saberes necessários à profissionalização docente. Metodologicamente, desenvolveu-se uma análise qualitativa e documental do conjunto normativo pós-1988, examinando limites e possibilidades para o desenvolvimento da racionalidade crítica nos cursos de licenciatura. Os resultados evidenciam que períodos de avanço democrático permitiram maior distensão da pirâmide — com fortalecimento da prática, integração teoria–prática e valorização da escola como espaço formativo —, enquanto momentos de inflexão tecnicista intensificaram a padronização, a lógica das competências e o controle sobre o trabalho docente. Conclui-se que superar a recorrente compressão formativa exige políticas públicas estáveis e articuladas, capazes de sustentar práticas críticas e reconhecer o professor como sujeito intelectual inserido em tensões permanentes entre macroestruturas normativas e práticas cotidianas.
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