AS REFORMAS DE AKHENATON: REORGANIZAÇÃO VISUAL E LEGITIMAÇÃO DO PODER NO PERÍODO AMARNIANO (1353-1335 A.C.)
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n5-061Palavras-chave:
Egito Antigo, Representação Visual, Leitura de ImagensResumo
Este estudo investiga as transformações na representação artística da família real durante o reinado do faraó Akhenaton (1353-1335 a.C.) e como essa reorganização simbólica redefiniu as formas de reprodução nas artes visuais do período amarniano. O problema central da pesquisa consiste em compreender por que tais alterações ocorreram e quais foram os impactos produzidos nos processos simbólicos de legitimação do poder real. Parte-se da hipótese de que tais modificações relacionavam-se religiosa e politicamente com um projeto de produção de novas formas de visualidade e ratificação da autoridade do faraó. Objetiva-se compreender como as imagens atuaram na consolidação da autoridade real em Amarna. Para isso, busca-se contextualizar o recorte histórico e as principais transformações políticas e religiosas, compreender as consequentes modificações nas artes visuais e interpretar essas transições à luz da historiografia e estudos contemporâneos sobre imagem, poder e representação no Egito Antigo. Essa pesquisa tem caráter bibliográfico e documental, de abordagem qualitativa, e fundamenta-se na análise iconográfica e iconológica das artes visuais produzidas nesse período. Os resultados indicam que as transformações de ordem pictórica implementadas durante o reinado do faraó Akhenaton reformularam as convenções imagéticas consolidadas na tradição artística egípcia, introduzindo novas maneiras de retratar o corpo, a intimidade familiar e a autoridade régia. Conclui-se que, mesmo que por um breve intervalo de tempo, tais mudanças ultrapassaram o campo estético e se constituíram como estratégias simbólicas vinculadas às reestruturações religiosas e políticas do período, contribuindo para o desenvolvimento de novas formas visuais e novos mecanismos de validação do poder no Egito Antigo.
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