RACISMO INSTITUCIONAL E SUAS IMPLICAÇÕES NA ASSISTÊNCIA À MULHER NEGRA NO CICLO GRAVÍDICO-PUERPERAL
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n1-121Palavras-chave:
Racismo Institucional, Saúde Materna, Desigualdades Raciais, Ciclo Gravídico-PuerperalResumo
Introdução: Reconhece-se que o racismo estrutural presente nas instituições de saúde gera desigualdades no atendimento, resultando em piores indicadores de saúde materna para mulheres negras em comparação com mulheres brancas. Objetivo: Sintetizar o corpus de conhecimento sobre como o racismo institucional impacta a qualidade da assistência prestada a mulheres negras gestantes no âmbito dos serviços de saúde, sobretudo nas etapas do pré-natal, parto e puerpério. Metodologia: Realizou-se uma revisão integrativa de literatura, com busca de artigos publicados entre 2015 e 2025 em bases de dados científicas, conforme diretrizes do protocolo PRISMA (2020), que abordam o impacto do racismo institucional no cuidado materno de mulheres negras. Após a triagem, os critérios de seleção foram aplicados aos estudos; a extração e a análise dos dados foram executadas por dois revisores. Resultados: Os estudos analisados revelam que o racismo institucional se manifesta por meio de preconceitos explícitos e implícitos, negligência, comunicação inadequada e barreiras ao acesso, culminando em diagnósticos tardios, tratamentos insuficientes e maior ocorrência de complicações obstétricas e mortalidade materna. Discussão: Evidencia-se que o racismo institucional configura um obstáculo sistêmico que demanda ações estruturais, como a capacitação antirracista dos profissionais de saúde, revisão de protocolos assistenciais e formulação de políticas públicas inclusivas, para garantir um atendimento equitativo e humanizado. Considerações finais: A superação do racismo institucional é imperativa para reduzir as disparidades no cuidado materno, promover a justiça social e assegurar que mulheres negras recebam atenção adequada e respeitosa durante todo o ciclo gravídico-puerperal.
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