DIÁLOGOS ACESSÍVEIS: CONSTRUINDO NARRATIVAS VISUAIS INCLUSIVAS COM A AUDIODESCRIÇÃO
DOI:
https://doi.org/10.56238/arev8n1-092Palavras-chave:
Audiodescrição, Acessibilidade, Arte, CulturaResumo
Este artigo propõe uma reflexão sobre a audiodescrição (AD) como ato criador, abordando-a não apenas como ferramenta de mediação, mas como experiência artística que transforma a percepção e o compartilhamento da arte. Ao deslocar o foco do acesso para o sensível, a pesquisa revela que a acessibilidade é também uma forma de criação, capaz de ampliar os horizontes estéticos e políticos da produção artística. Como metodologia realiza-se um estudo de caso com um grupo de teatro de sombras que utiliza a sombradescrição, uma modalidade de audiodescrição integrada ao processo criativo. A análise é construída a partir de entrevistas com uma das atrizes do grupo e uma espectadora cega e consultora de audiodescrição. A pesquisa articula dimensões empíricas e teóricas, apoiando-se em autores dos estudos críticos da deficiência e da teoria crip, como McRuer, Garland-Thomson e Siebers. Esses referenciais permitem compreender a deficiência como diferença produtiva e a acessibilidade como gesto político, revelando que a arte inclusiva é também uma arte transformadora — capaz de reinventar os modos de ver, ouvir, sentir e imaginar. Esse panorama aponta para a necessidade de uma mudança de paradigma na cultura: da acessibilidade como obrigação normativa para a acessibilidade como linguagem estética e prática emancipadora.
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Referências
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