ISQUEMIA MESENTÉRICA: USO DE BIOMARCADORES NO DIAGNÓSTICO PRECOCE
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n61-052Palavras-chave:
Isquemia Mesentérica Aguda, Biomarcadores, Diagnóstico Precoce, PrognósticoResumo
A isquemia mesentérica aguda é uma condição clínica vascular grave, que pode evoluir para morte celular e necrose intestinal de forma rápida devido a interrupção do fluxo sanguíneo da circulação mesentérica no intestino delgado. Apesar de ser uma condição médica rara entre a população, as taxas de mortalidade da isquemia mesentérica aguda são elevadas, sobretudo devido ao diagnóstico tardio, com necessidade de exames de imagem, além do alto índice de complicações associadas a esta condição devido a este reconhecimento tardio. Relacionado a isso, a necessidade de investigação precoce da doença tem ampliado os estudos na tentativa de precipitar o diagnóstico da doença, a fim de melhorar o prognóstico destes pacientes e reduzir a mortalidade da doença. Dessa forma, a busca por biomarcadores plasmáticos tem se mostrado promissores no reconhecimento inicial de isquemia mesentérica aguda, principalmente quando os sintomas clínicos ainda são inespecíficos e os métodos de imagem podem apresentar limitações. Este trabalho teve como objetivo analisar os principais marcadores diagnósticos utilizados na detecção precoce da isquemia mesentérica aguda por meio de uma revisão sistemática na literatura, discutindo sua acurácia e limitações no contexto clínico. Foi realizada a procura bibliográfica em base de dados científicas através das recomendações do PRISMA, com a pergunta norteadora estruturada segundo o formato PICO. Foram incluídos artigos publicados nos últimos 10 anos, em português, inglês e espanhol sobre a isquemia mesentérica aguda, com foco no diagnóstico precoce, biomarcadores e o tratamento em adultos. Os estudos analisados demonstraram que biomarcadores como D-dímero, I-FABP, α-GST e albumina modificada pela isquemia apresentam potencial utilidade no diagnóstico precoce da isquemia mesentérica aguda. O D-dímero destacou-se pela alta sensibilidade, enquanto I-FABP e α-GST apresentaram maior especificidade para lesão intestinal. Biomarcadores inflamatórios, como PCR, IL-6 e procalcitonina, mostraram maior relevância prognóstica do que diagnóstica nas fases iniciais da doença. Dessa forma, conclui-se que a combinação de biomarcadores séricos associada à avaliação clínica e aos exames de imagem representa a estratégia mais promissora para o diagnóstico precoce da isquemia mesentérica aguda, podendo contribuir para redução da mortalidade e melhora do prognóstico.
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