TECNOLOGIAS DIGITAIS E PRODUÇÃO DE SUBJETIVIDADE: DESAFIOS PARA A FORMAÇÃO DE UMA SEXUALIDADE SAUDÁVEL NA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n59-031Palavras-chave:
Produção de Subjetividade, Novas Tecnologias, Educação Preventiva, Sexualidade, PsicanáliseResumo
Este artigo analisa a produção de subjetividade na contemporaneidade diante do avanço das tecnologias digitais, articulando esse fenômeno aos desafios da educação preventiva para a promoção de uma sexualidade saudável na infância e adolescência. Parte-se do problema da crescente exposição de crianças e jovens a conteúdos digitais que influenciam comportamentos, percepções e processos de construção identitária. O estudo tem como objetivo examinar o papel da educação preventiva, fundamentada na Psicanálise freudiana e nos Parâmetros Curriculares Nacionais, como estratégia de mediação desses impactos. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de caráter descritivo-analítico, que investiga como mídias digitais, como redes sociais, aplicativos e plataformas de entretenimento, afetam a subjetividade e ampliam a vulnerabilidade a riscos, incluindo erotização precoce, violência e exploração sexual. Os resultados indicam que a ausência de mediação crítica potencializa tais riscos, enquanto a atuação integrada entre escola e família contribui para a proteção e o desenvolvimento saudável. Conclui-se que a educação preventiva, orientada por fundamentos teóricos e práticas dialógicas, é essencial para enfrentar os efeitos das tecnologias digitais e promover uma sexualidade consciente e protegida.
Downloads
Referências
BRASIL. [Constituição (1988)]. Estatuto da Criança e do Adolescente: Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Brasília, DF: Presidência da República, [1990].
BRASIL. Lei nº 11.829, de 25 de novembro de 2008. Altera a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente, para aprimorar o combate à pornografia infantil. Brasília, DF: Presidência da República, [2008].
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: pluralidade cultural, orientação sexual. 2. ed. Brasília, DF: MEC/SEF, 2000. v. 10.
DELEUZE, Gilles. Post-scriptum sobre as sociedades de controle. In: DELEUZE, Gilles. Conversações. Tradução de Peter Pál Pelbart. São Paulo: Editora 34, 1992. p. 219-226.
FIGUEIRÓ, M. O papel do professor na educação sexual de adolescentes. In: MELO, W. (org.). Sexualidade e educação. Maringá: Eduem, 2004.
FOUCAULT, Michel. Tecnologias do eu. In: FOUCAULT, Michel. Ditos e escritos. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Tradução de Raquel Ramalhete. Petrópolis: Vozes, 1975.
FREUD, Sigmund. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade (1905). In: FREUD, Sigmund. Obras completas. Rio de Janeiro: Imago, 1972. v. 7.
GUATTARI, Félix. Caosmose: um novo paradigma estético. Tradução de Ana Lúcia de Oliveira e Lúcia Cláudia Leão. São Paulo: Editora 34, 1992.
GUATTARI, Félix; ROLNIK, Suely. Micropolítica: cartografias do desejo. Petrópolis: Vozes, 1986.
HAN, Byung-Chul. Psicopolítica: neoliberalismo e novas técnicas de poder. Tradução de Maurício Liesen. Belo Horizonte: Âyiné, 2018.
LAZZARATO, Maurizio. As revoluções do capitalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2006.
LAZZARATO, Maurizio. Signos, máquinas, subjetividades. Tradução de Paulo Domenech Oneto. São Paulo: Edições Sesc, 2014.
MEIRA, Luiz B. Sexos: aquilo que os pais não falaram para os filhos. João Pessoa: Autor Associado, 2002.
MEIRELLES, João Alfredo Boni. Os Ets e a gorila: um olhar sobre a sexualidade, a família e a escola. In: AQUINO, Júlio Groppa (org.). Sexualidade na Escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1997.
SILVARES, E. F. M. Orientação sexual da criança. In: BRANDÃO, M. Z. S. et al. (orgs.). Comportamento humano: tudo (ou quase tudo) que você gostaria de saber para viver melhor. Santo André: ESETec Editores Associados, 2002.
TURKLE, Sherry. Alone Together: why we expect more from technology and less from each other. New York: Basic Books, 2011.
UNESCO. Orientação técnica internacional sobre educação em sexualidade: uma abordagem baseada em evidências. Paris: UNESCO, 2010.
VILELAS JANEIRO, J. M. S. Educar sexualmente os adolescentes: uma finalidade da família e da escola?. Revista Gaúcha de Enfermagem, Porto Alegre, v. 29, n. 3, p. 382, 2008. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/rgenf/article/view/6758.
VIRNO, Paolo. Gramática da multidão: para uma análise das formas de vida contemporânea. Tradução de Leonardo Cássio. São Paulo: Annablume, 2003.
ZUBOFF, Shoshana. The age of surveillance capitalism: the fight for a human future at the new frontier of power. New York: PublicAffairs, 2019.