PREVENÇÃO DA CEFALEIA PÓS-PUNÇÃO DURAL EM PACIENTES OBSTÉTRICAS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n59-027Palavras-chave:
Cefaleia Pós-Punção Dural, Anestesia Obstétrica, Cesariana, Punção RaquidianaResumo
Introdução: A cefaleia pós-punção dural permanece como uma das causas mais relevantes de morbidade materna após anestesia neuroaxial na prática obstétrica. Seu impacto clínico vai além da dor, podendo comprometer a mobilidade, a amamentação, a interação mãe-bebê e a recuperação pós-parto como um todo. Dessa forma, estratégias preventivas têm ganhado crescente importância tanto em cesarianas sob anestesia raquidiana quanto em casos de punção dural acidental durante analgesia epidural no trabalho de parto.
Objetivo: O objetivo principal desta revisão sistemática foi avaliar a eficácia e a segurança das estratégias preventivas disponíveis para cefaleia pós-punção dural em pacientes obstétricas submetidas à anestesia neuroaxial. Os objetivos secundários incluíram comparar abordagens profiláticas após anestesia raquidiana planejada com aquelas utilizadas após punção dural acidental, avaliar o efeito da profilaxia farmacológica na incidência e gravidade da cefaleia, examinar o papel preventivo de estratégias baseadas em cateter intratecal, avaliar a qualidade metodológica e o risco de viés, e identificar lacunas de evidência para pesquisas futuras.
Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática de acordo com os princípios PRISMA, utilizando PubMed, Scopus, Web of Science, Cochrane Library, LILACS, ClinicalTrials.gov e ICTRP. Estudos clínicos envolvendo pacientes obstétricas e intervenções preventivas para cefaleia pós-punção dural foram elegíveis, com janela de busca principal dos últimos cinco anos e expansão pré-especificada, se necessário. A seleção dos estudos e a extração de dados foram realizadas de forma independente, e o risco de viés e a certeza da evidência foram avaliados com ferramentas estabelecidas, incluindo RoB 2, ROBINS-I, QUADAS-2 e GRADE, conforme aplicável.
Resultados e Discussão: Nove estudos atenderam aos critérios de inclusão e foram incluídos na síntese qualitativa final. As evidências disponíveis sugerem que estratégias farmacológicas, como aminofilina, ondansetrona, pregabalina e paracetamol associado à cafeína, podem reduzir a incidência ou a gravidade da cefaleia pós-punção dural após cesariana sob anestesia raquidiana, enquanto as evidências para dexametasona e morfina intratecal permanecem inconsistentes. Em pacientes com punção dural acidental durante analgesia epidural no trabalho de parto, o posicionamento de cateter intratecal demonstrou a tendência favorável mais consistente, com possível redução na ocorrência de cefaleia e na necessidade de tampão sanguíneo epidural, embora a maioria dos dados de suporte seja observacional. De modo geral, a literatura apresentou heterogeneidade, com variação nas intervenções, comparadores, critérios diagnósticos e períodos de seguimento, o que limitou a certeza da evidência e a força de recomendações universais.
Conclusão: As evidências atuais sustentam que a prevenção da cefaleia pós-punção dural em pacientes obstétricas é possível, porém nenhuma estratégia isolada demonstrou superioridade consistente suficiente para uso rotineiro universal. A profilaxia farmacológica pode ser benéfica em populações selecionadas de cesariana, e o uso de cateter intratecal parece promissor após punção dural acidental em ambientes com experiência. Assim, a tomada de decisão preventiva deve permanecer individualizada, baseada em evidências e adaptada ao contexto do procedimento, ao risco do paciente e à expertise local.
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