ENGRENAGENS INVISÍVEIS: OS HÁBITOS INCONSCIENTES NA FORMAÇÃO DA PERSONALIDADE HUMANA
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n58-013Palavras-chave:
Hábitos Inconscientes, Personalidade, Psicanálise, Desejo, Linguagem, Hábitos ContemporâneosResumo
Este artigo toma como ponto de partida a hipótese de que os hábitos inconscientes funcionam como “engrenagens invisíveis” que sustentam a construção da personalidade humana, na medida em que, ao longo da vida, se estabelecem modos recorrentes de pensar, sentir e agir que escapam à consciência e acabam sendo confundidos com um simples “jeito de ser”. Procura se, nesse percurso, articular a tradição da psicanálise clássica com pesquisas contemporâneas sobre hábitos e autorregulação, mostrando como esses padrões repetidos nascem de formações do inconsciente, derivadas de desejos recalcados, conflitos internos, mecanismos de defesa e aprendizagens implícitas, até se consolidarem em traços relativamente estáveis de caráter, que orientam escolhas, vínculos afetivos e formas de presença no mundo. A partir das contribuições de Freud, Lacan, Jung e Klein, discutem se a constituição do aparelho psíquico, os mecanismos de defesa, a lógica da repetição e o lugar central do desejo, relacionando essas formulações a autores atuais como Clear e Brewer, que concebem os hábitos como circuitos de recompensa, rotinas automáticas e dispositivos de construção de identidade, o que possibilita aproximar o vocabulário psicanalítico dos achados da psicologia cognitiva, da neurociência e da ciência dos hábitos, culminando na proposta da metáfora das engrenagens invisíveis para compreender os hábitos inconscientes como eixo de articulação entre experiência subjetiva, estruturas simbólicas e práticas cotidianas, com importantes efeitos clínicos e éticos para os processos de mudança de personalidade e de reorganização dos modos de vida.
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Referências
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