DESAFIOS NO PLANEJAMENTO E ESTABILIDADE OCLUSAL NA CIRURGIA ORTOGNÁTICA CLASSE III
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n57-077Palavras-chave:
Cirurgia Ortognática, Má Oclusão Classe III, Estabilidade Oclusal, Planejamento Digital, RecidivaResumo
A má oclusão Classe III esquelética é considerada uma das deformidades dentofaciais de maior complexidade terapêutica, sendo caracterizada pela discrepância anteroposterior entre maxila e mandíbula, com impactos estéticos e funcionais significativos (ALHAMMADI et al., 2022; OWENS et al., 2024). Em pacientes adultos com discrepâncias moderadas a severas, a cirurgia ortognática configura-se como tratamento de escolha, por promover melhora do perfil facial, da função mastigatória e da fonação (ALHAMMADI et al., 2022; LATHROP-MARSHALL et al., 2022). O presente estudo objetiva analisar os desafios relacionados ao planejamento e à estabilidade oclusal na cirurgia ortognática de pacientes Classe III, por meio de revisão bibliográfica narrativa realizada na base de dados PubMed, contemplando artigos publicados nos últimos cinco anos. A literatura demonstra que o sucesso terapêutico depende de planejamento criterioso, descompensação ortodôntica adequada e execução cirúrgica precisa (LIU et al., 2021). O planejamento digital tridimensional e o uso de guias cirúrgicos impressos em 3D têm ampliado a previsibilidade e a precisão no reposicionamento esquelético (NGUYEN; NGUYEN, 2024). Entretanto, fatores como magnitude dos movimentos ósseos, espessura alveolar, presença de fissura labiopalatina e possíveis alterações condilares podem influenciar a estabilidade pós-operatória e favorecer recidivas (GAO et al., 2025; FARIA-TEIXEIRA et al., 2024; ROMAN et al., 2022). Além disso, a adaptação funcional, especialmente relacionada à fala, constitui critério relevante na avaliação dos resultados (LATHROP-MARSHALL et al., 2022). Conclui-se que a estabilidade oclusal em pacientes com Classe III esquelética está diretamente relacionada à integração entre diagnóstico preciso, planejamento ortodôntico-cirúrgico individualizado e acompanhamento pós-operatório rigoroso, sendo indispensável abordagem multidisciplinar para obtenção de resultados estáveis e duradouros.
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Referências
ALHAMMADI, M. S. et al. Orthodontic camouflage versus orthodontic-orthognathic surgical treatment in borderline class III malocclusion: a systematic review. Clinical Oral Investigations, v. 26, p. 6443–6455, 2022.
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OWENS, D. et al. Orthodontic treatment for prominent lower front teeth (Class III malocclusion) in children. Cochrane Database of Systematic Reviews, n. 4, 2024.
ROMAN, R. et al. Evaluation of the Mandibular Condyle Morphologic Relation before and after Orthognathic Surgery in Class II and III Malocclusion Patients Using Cone Beam Computed Tomography. Biology, v. 11, n. 1353, 2022.