EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA EDUCAÇÃO INFANTIL COMO INSTRUMENTO DE SENSIBILIZAÇÃO PARA A PRESERVAÇÃO DO CERRADO TOCANTINENSE
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n57-055Palavras-chave:
Práticas Educativas, Bioma Cerrado, Formação Cidadã, Primeira InfânciaResumo
A intensificação da crise socioambiental e o avanço das pressões antrópicas sobre o Cerrado brasileiro, especialmente no contexto tocantinense, evidenciam a necessidade de estratégias educativas capazes de promover a sensibilização ambiental desde as etapas iniciais da escolarização. A Educação Ambiental (EA), quando inserida na Educação Infantil, apresenta-se como eixo estruturante para a formação de valores, atitudes e vínculos afetivos com a natureza, contribuindo para a preservação dos biomas e para a construção de uma consciência socioambiental crítica e contextualizada. O problema consistiu em compreender de que maneira a Educação Ambiental, desenvolvida na Educação Infantil, pode atuar como instrumento de sensibilização para a preservação do Cerrado tocantinense, considerando os fundamentos pedagógicos da infância, os documentos oficiais e a valorização do território e dos saberes locais. O objetivo deste artigo foi analisar as contribuições da Educação Ambiental na Educação Infantil para a sensibilização ambiental e a formação de valores voltados à preservação do Cerrado no contexto do Tocantins. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza teórica e exploratória, desenvolvida por meio de revisão de literatura sistematizada, com base em produções científicas nacionais e internacionais, documentos normativos e políticas públicas relacionadas à Educação Ambiental, à Educação Infantil e ao Cerrado. O levantamento bibliográfico foi realizado em bases como Scopus, Google Acadêmico e ScienceDirect, com seleção orientada pelo protocolo PRISMA e análise interpretativa fundamentada na Análise de Conteúdo. A análise dos dados foi realizada de forma interpretativa, à luz da Educação Ambiental crítica. Os resultados evidenciam que a Educação Ambiental na Educação Infantil, quando fundamentada em práticas lúdicas, experiências concretas com a natureza e na valorização do território, favorece a construção de vínculos afetivos, o sentimento de pertencimento e o desenvolvimento de valores éticos e sustentáveis. Contudo, também se identificam desafios relacionados à formação docente, à infraestrutura escolar e à efetivação das diretrizes legais no cotidiano pedagógico. Conclui-se que a Educação Ambiental na Educação Infantil constitui uma estratégia essencial para a preservação do Cerrado tocantinense, ao promover uma educação contextualizada, crítica e socialmente referenciada, capaz de contribuir para a formação de sujeitos sensíveis, participativos e comprometidos com a sustentabilidade desde a primeira infância.
Downloads
Referências
ARDOIN, N. M.; BOWERS, A. W. Early childhood environmental education: a systematic review of the research literature. Educational Research Review, Amsterdam, v. 31, 2020, art. 100353. DOI: https://doi.org/10.1016/j.edurev.2020.100353
BANDEIRA, M. N. P. Infância e natureza: práticas de Educação Ambiental na Educação Infantil. Ensino em Perspectivas, Fortaleza, v. 6, n. 1, 2021. DOI: https://doi.org/10.52521/enpe.v6i1.16517
BARDIN, L. Análise de conteúdo. São Paulo: Edição 70, 2016.
BORGES, M. da G.; DE SOUZA, A. M.; COSTA, V. M.; NASCIMENTO, V. C. dos S.; CABECIONE, D. R. A importância da educação ambiental para o desenvolvimento sustentável. Revista Lumen et Virtus, v. 16, n. 46, p. 2748–2765, 2025. DOI: https://doi.org/10.56238/levv16n46-081
BRASIL, A. de O. M.; SCARELI-SANTOS, C.; CARNEIRO DA SILVA, P. Ações de Educação Ambiental em espaços não formais de ensino e aprendizagem: em análise o Colégio Estadual Rui Barbosa, em Araguaína, Tocantins. REMEA – Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, v. 42, n. 2, 2025. DOI: https://doi.org/10.63595/remea.v42i2.15853
BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 28 abr. 1999.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2018.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução nº 2, de 15 de junho de 2012. Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 18 jun. 2012.
DA SILVA, K. L.; MIRANDA, M. da S.; DA SILVA, T. B.; GONÇALVES, J. J. da S.; CAMPOS, C. M. C. A educação ambiental como ferramenta para a formação de cidadãos sustentáveis. Revista Lumen et Virtus, v. 16, n. 46, p. 2846–2860, 2025. DOI: https://doi.org/10.56238/levv16n46-088
DIAS, M. A. N.; ROSADO, L. P.; SOUZA JÚNIOR, H. de; NASCIMENTO, T. do; PEREIRA, L. M.; LIMA, P. S. R.; ALMEIDA, R.; ALVES, J. R. C.; TIRADENTES, A. P. M.; SILVA, H. N. da; CASTRO, J. C. de; MORAES, C. B. de. Educação ambiental e arborização escolar: análise comparativa da percepção de estudantes e professores no ambiente escolar. Caderno Cajuína, Teresina, v. 11, n. 1, 2026. DOI: https://doi.org/10.52641/cadaj.v11i1.810
DIAS, M. A. N.; PEREIRA, L. M.; LUIZ, J. R. dos S.; MARINHO, L. dos S. B.; LIMA, P. S. R.; COELHO, M. C. B.; SOUZA, P. A. de; SANTOS, A. F. dos. Verde que educa: a arborização escolar e sua contribuição à educação ambiental. Contribuciones a Las Ciencias Sociales, v. 18, n. 7, p. e19490, 2025. DOI: https://doi.org/10.55905/revconv.18n.7-234
DOLCI, L. N.; PEREIRA, A. M. Educação ambiental e educação estética: um processo educativo para a sustentabilidade. Educação: Teoria e Prática, Rio Claro, v. 30, n. 63, p. 1–16, jul. 2020. DOI: https://doi.org/10.18675/1981-8106.v30.n.63.s12349
DUTRA, T.; LIMA, L. C. de; DRESCH, J. F. Práticas pedagógicas de educação ambiental na educação infantil. Educação em Revista, v. 3, 2020, art. 15642. DOI: https://doi.org/10.22481/redupa.v3.15642
ELLIS, E. C. The Anthropocene condition: evolving through social-ecological transformations. Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences, London, v. 379, n. 1893, 2023. DOI: https://doi.org/10.1098/rstb.2022.0255
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 50. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011.
GUSSSA, M. A. Characterizing environmental education practices in Ethiopian primary schools. Development, Amsterdam, v. 102, 2023, art. 102848. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jedudev.2023.102848
INEIS, P.; GAMBHIR, A. Social inequalities and the environmental crisis: need for an intergenerational alliance. Frontiers in Public Health, Lausanne, v. 11, 2023. DOI: 10.3389/fpubh.2023.1226961
LOPES, A. A.; OLIVEIRA, J. L.; GREGIO, J. L.; MARLON, E. S.; BARRADAS, T. F.; SANTOS, R. C.; GARCIA, E. A. Educação ambiental e gestão de resíduos: práticas sustentáveis para a minimização da degradação ambiental. Revista Lumen et Virtus, v. 16, n. 46, 2025. DOI: https://doi.org/10.56238/levv16n46-082
MATTAR, J. RAMOS, D. K.. Metodologia da Pesquisa em Educação: abordagens quantitativas, qualitativas e mistas. 1ª ed.-São Paulo: edições 70, 2021.
MOREIRA, C. A. G. Saberes tradicionais e a preservação sociocultural e ambiental no Cerrado brasileiro. Revista Científica Eletrônica da Faculdade de Piracanjuba, v. 5, n. 8, 2025.
MOREIRA, C. J.; BISPO, M. O. Educação ambiental no Parque Estadual do Cantão, Tocantins: uma experiência na transição entre o Cerrado e a Amazônia. Geografia em Questão, v. 13, n. 5, 2020. DOI: https://doi.org/10.48075/geoq.v13i5.27155
NOGUEIRA, C. de C.; FERREIRA, M. N. e; RECODER, R. S.; CARMIGNOTTO, A. P.; VALDUJO, P. H.; LIMA, F. C. T. de; GREGORIN, R.; SILVEIRA, L. F.; RODRIGUES, M. T. Vertebrados da Estação Ecológica Serra Geral do Tocantins: faunística, biodiversidade e conservação no Cerrado brasileiro. Biota Neotropica, v. 11, n. 1, 2011. DOI: https://doi.org/10.1590/S1676-06032011000100030
RESENDE, M. M.; FERNANDES, G. W.; ANDRADE, D. C.; NÉDER, H. D. Valoração econômica de serviços ecossistêmicos fornecidos por uma área protegida no Cerrado brasileiro: aplicação do método de valoração contingente. Brazilian Journal of Biology, São Carlos, v. 77, n. 4, p. 681–689, 2017. DOI: https://doi.org/10.1590/1519-6984.21215
RIGOTTO, R. M.; SANTOS, V. P.; COSTA, A. M. Territórios tradicionais de vida e as zonas de sacrifício do agronegócio no Cerrado. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, v. 46, n. esp. 2, p. 1–15, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/0103-11042022E201
SABED, D. A educação ambiental na educação infantil: limites e possibilidades. REMEA – Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental, v. esp., p. 133–158, jul. 2016.
SANTOS, L. A. N. dos; MULLER, M. G.; MENDES, A. A. O ensino de biomas no contexto da educação básica brasileira: uma revisão da literatura a partir da Análise Textual Discursiva. Ambiente & Educação: Revista de Educação Ambiental, v. 29, n. 2, 2024. DOI: https://doi.org/10.63595/ambeduc.v29i2.1673
SANTOS, V. da S.; LISBOA, A. de J. R.; DE SOUZA, S. R. A educação ambiental como uma ferramenta pragmática para a formação da responsabilidade social / Environmental education as a pragmatic tool for the formation of social responsibility. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 12, p. 116655–116671, 2021. DOI: https://doi.org/10.34117/bjdv7n12-428
SEGURA-GARCIA, C.; ALENCAR, A.; ARRUDA, V. L. S.; BAUMAN, D.; SILVA, W.; CONCIANI, D. E.; MENOR, I. O. The fire regimes of the Cerrado and their changes through time. Philosophical Transactions of the Royal Society B: Biological Sciences, London, v. 380, n. 1924, 2025, art. 20230460. DOI: https://doi.org/10.1098/rstb.2023.0460
SOARES, J. S. L.; TAVARES, G. G. Educação ambiental e Cerrado: histórico e concepções na pesquisa acadêmica brasileira (2010–2024). Revista Brasileira de Educação Ambiental (RevBEA), São Paulo, v. 20, n. 6, p. 243–258, 2025.
SOUSA, P. R. G. de; SALVATIERRA, L. Análise de conteúdo de livros didáticos do PNLD 2020 sobre Educação Ambiental. Amazônia: Revista de Educação em Ciências e Matemáticas, Belém, v. 18, n. 41, p. 1–15, 2022.