CARCINOMATOSE PERITONEAL SECUNDÁRIA AO CÂNCER DE OVÁRIO: IMPACTO PROGNÓSTICO, ABORDAGENS TERAPÊUTICAS E DESFECHOS CLÍNICOS – UMA REVISÃO SISTEMÁTICA
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n57-019Palavras-chave:
Neoplasias Ovarianas, Neoplasias Peritoneais, Cirurgia Citorredutora, Quimioterapia Antineoplásica CombinadaResumo
Introdução: A carcinomatose peritoneal representa o padrão mais comum de disseminação no câncer de ovário avançado e permanece como um dos principais determinantes do prognóstico, da complexidade terapêutica e dos desfechos de sobrevida. Apesar dos avanços na terapia sistêmica e nas técnicas cirúrgicas, o acometimento peritoneal continua associado a elevada morbidade e mortalidade. A integração da cirurgia citorredutora, da quimioterapia sistêmica e de estratégias intraperitoneais remodelou o cenário terapêutico; contudo, a seleção ideal de pacientes e o momento adequado das intervenções ainda são objeto de debate.
Objetivo: O objetivo principal desta revisão sistemática foi avaliar o impacto prognóstico da carcinomatose peritoneal secundária ao câncer de ovário. Como objetivos secundários, buscou-se avaliar a eficácia de diferentes abordagens terapêuticas, comparar estratégias cirúrgicas e não cirúrgicas, analisar desfechos clínicos e métricas de sobrevida, além de identificar fatores associados à resposta ao tratamento e à progressão da doença.
Métodos: Foi realizada uma busca sistemática nas bases PubMed, Scopus, Web of Science, Cochrane Library, LILACS, ClinicalTrials.gov e na International Clinical Trials Registry Platform. Estudos publicados nos últimos cinco anos foram priorizados, com extensão para até dez anos quando necessário. Foram incluídos ensaios clínicos e estudos observacionais que avaliaram prognóstico e desfechos terapêuticos na carcinomatose peritoneal relacionada ao câncer de ovário. Os dados foram sintetizados de forma qualitativa, com comparação estruturada das intervenções e dos desfechos.
Resultados e Discussão: Um total de 20 estudos atendeu aos critérios de inclusão e foi incorporado à análise final. As evidências indicam que a citorredução completa ou quase completa permanece como o fator prognóstico mais relevante para a sobrevida, enquanto o papel da quimioterapia intraperitoneal hipertérmica e de novos agentes sistêmicos apresenta benefícios variáveis, dependentes da carga tumoral e da seleção dos pacientes. Dados emergentes sustentam estratégias individualizadas e multidisciplinares para otimizar os resultados, minimizando a morbidade relacionada ao tratamento.
Conclusão: A carcinomatose peritoneal secundária ao câncer de ovário continua a representar um importante desafio prognóstico e terapêutico. As evidências atuais apoiam abordagens cirúrgicas agressivas, porém criteriosamente selecionadas, combinadas com terapia sistêmica personalizada. O aprimoramento contínuo dos critérios de seleção de pacientes e a integração de tratamentos emergentes são fundamentais para melhorar os desfechos em longo prazo.