NEUROPLASTICIDADE DO SISTEMA VISUAL EM PACIENTES COM TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR: EVIDÊNCIAS CLÍNICAS E NEUROBIOLÓGICAS
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n56-038Palavras-chave:
Transtorno Depressivo Maior, Neuroplasticidade, Sistema VisualResumo
Introdução: O transtorno depressivo maior (TDM) é uma condição psiquiátrica altamente prevalente, associada a alterações neurobiológicas em múltiplos sistemas cerebrais. Embora tradicionalmente relacionado a disfunções em circuitos límbicos e pré-frontais, evidências recentes sugerem que áreas sensoriais, incluindo o sistema visual, também apresentam alterações funcionais e estruturais associadas à neuroplasticidade no contexto da depressão. Métodos: Foi realizada uma revisão sistematizada da literatura na base de dados PubMed, com o objetivo de identificar evidências clínicas e neurobiológicas de neuroplasticidade do sistema visual em pacientes com TDM. Foram incluídos estudos que avaliaram o sistema visual por meio de neuroimagem, eletrofisiologia ou testes perceptivos, sem restrição quanto ao delineamento. Os dados extraídos incluíram métodos de avaliação, principais achados e relação com características clínicas do transtorno. Resultados: Quinze estudos preencheram os critérios de inclusão. Os métodos utilizados incluíram ressonância magnética funcional e estrutural, potenciais evocados visuais, avaliação da excitabilidade cortical e testes psicofísicos. Foram identificadas alterações na conectividade funcional do córtex visual, redução da plasticidade sináptica dependente de estímulo e mudanças estruturais em regiões occipitais. Estudos clínicos e experimentais demonstraram associação entre essas alterações e a gravidade dos sintomas depressivos, bem como sua presença em fases iniciais do transtorno. Conclusão: As evidências disponíveis indicam que o TDM está associado a alterações na neuroplasticidade do sistema visual, envolvendo aspectos funcionais, estruturais e sinápticos. O reconhecimento dessas alterações amplia a compreensão da fisiopatologia da depressão e destaca o sistema visual como um campo relevante para futuras investigações clínicas e neurobiológicas.
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