FITOTERAPIA NA REGIÃO AMAZÔNICA: TRADIÇÃO E POTENCIAL FARMACOLÓGICO NO CONTEXTO DA ENFERMAGEM
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv16n55-157Palavras-chave:
Etnobotânica, Cuidado Integral, Políticas Públicas, Práticas IntegrativasResumo
Parte-se do entendimento de que a Amazônia, por abrigar uma das maiores biodiversidades do planeta e uma rica diversidade sociocultural, conserva um vasto repertório de práticas fitoterápicas que resistem ao tempo, apesar da invisibilidade em políticas de saúde convencionais. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho foi analisar a interface entre o saber tradicional e o conhecimento científico, visando propor possibilidades de integração entre a fitoterapia amazônica e a atuação do enfermeiro. Metodologicamente, realizou-se uma revisão bibliográfica nas bases LILACS, MEDLINE, BDENF, MOSAICO – Saúde Integrativa e Scielo, com os descritores relacionados a temática proposta, com recorte temporal de 2015 a 2025 e restrição para idioma português. Foram localizados 45 artigos, mas após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, restaram apenas quatro estudos relevantes: Faria et al. (2021), Ferreira et al. (2016), Nascimento et al. (2017) e Santos et al. (2023). Esses estudos destacam desde a persistência do cultivo de quintais medicinais urbanos e rurais, o protagonismo de mulheres como guardiãs do saber, até a comprovação laboratorial de propriedades farmacológicas de espécies nativas, além de evidenciar a coexistência entre uso de plantas e medicamentos industrializados. Os resultados apontam para uma lacuna de pesquisas recentes que articulem a fitoterapia amazônica às práticas de cuidado de enfermagem, mas reafirmam o potencial da integração desses saberes ao cuidado em saúde, desde que pautado por orientação técnica, educação em saúde e políticas públicas consistentes. Conclui-se que valorizar e incorporar os saberes tradicionais à prática da enfermagem é essencial para fortalecer a autonomia terapêutica das comunidades, ampliar o acesso a recursos naturais seguros e contribuir para a sustentabilidade ambiental e cultural da Amazônia.
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