IMPACTO IMUNOPATOGÊNICO DA INFECÇÃO POR CHLAMYDIA TRACHOMATIS E NEISSERIA GONORRHOEAE NA FERTILIDADE FEMININA E PERSPECTIVAS VACINAIS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n59-025Palavras-chave:
Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae, Infertilidade Feminina, Doença Inflamatória Pélvica, VacinasResumo
Objetivo: Buscar avaliar os principais mecanismos imunopatogênicos associados à infecção por Chlamydia trachomatis (CT) e Neisseria gonorrhoeae (NG), bem como demonstrar as repercussões clínicas dessas infecções na fertilidade feminina e as perspectivas futuras de controle por meio de vacinas. Metodologia: É uma revisão sistemática focada em entender os danos estruturais e a evasão imunológica causados por esses patógenos no trato reprodutor, além de avaliar a relação da doença inflamatória pélvica (DIP) com o prognóstico reprodutivo das pacientes. A pesquisa foi guiada pela pergunta: “Qual o impacto imunopatogênico da infecção por Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae na fertilidade feminina e quais as perspectivas de prevenção vacinal disponíveis?”. Para encontrar respostas, foram realizadas buscas na base de dados PubMed usando quatro descritores combinados com o termo booleano “AND”. Isso resultou em 284 artigos. Sendo selecionados 45 artigos para análise e utilizados 17 artigos para compor a coletânea. Resultados: A infecção por CT e NG é uma condição complexa e predominantemente assintomática, que impacta profundamente a saúde reprodutiva. A ascensão dessas bactérias ao trato genital superior desencadeia a DIP, resultando em transição epitélio-mesenquimal, danos tubários irreversíveis e infertilidade. O controle dessas infecções enfrenta enormes desafios devido aos sofisticados mecanismos de evasão imune de ambos os patógenos, como a inibição da ativação de neutrófilos, modulação da resposta de interferon tipo I e indução de exaustão de células T, o que impede a formação de memória imunológica duradoura. Ferramentas de rastreio genético (NAAT) e sorológico têm contribuído para a detecção, embora a alta taxa de reinfecção limite sua eficácia isolada a longo prazo. Conclusão: Diante disso, é imprescindível investir no desenvolvimento de novas tecnologias preventivas. Plataformas de vacinas focadas em imunidade de mucosa, utilizando nanodiscos e adjuvantes indutores de resposta Th1, vêm demonstrando potencial promissor. É fundamental o fomento de políticas públicas voltadas para o diagnóstico precoce e a viabilização de imunizantes combinados para mitigar a carga global de infertilidade.
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