GASTROSQUISE: REVISÃO SISTEMÁTICA SOBRE A FISIOPATOLOGIA, ESTRATÉGIAS DE FECHAMENTO DA PAREDE ABDOMINAL E DESAFIOS PROGNÓSTICOS NEONATAIS
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n59-023Palavras-chave:
Gastrosquise, Parede Abdominal, Procedimentos Cirúrgicos Operatórios, Nutrição ParenteralResumo
Objetivo: O objetivo geral deste estudo é analisar a produção científica sobre a Gastrosquise, identificando os mecanismos fisiopatológicos, as principais complicações pós-operatórias associadas e as técnicas de correção cirúrgica atuais. Metodologia: Esta é uma revisão sistemática focada em compreender os aspectos essenciais da Gastrosquise, desde o período fetal até aos resultados a longo prazo. A pesquisa foi guiada pela pergunta: "Quais são as melhores abordagens cirúrgicas e as principais complicações sistémicas manejo de recém-nascidos com gastrosquise?". Foram analisados criticamente 19 artigos científicos que abordam a diferenciação clínica, as estratégias de fechamento e as inovações no suporte nutricional. Resultados: A gravidade da doença é fundamentalmente ditada pela sua classificação em gastrosquise simples ou complexa, sendo esta última associada a atresia, necrose ou vólvulo intestinal, o que eleva drasticamente a mortalidade e o tempo de internamento. O debate cirúrgico central recai sobre o método de fechamento da parede abdominal: fechamento primário, uso estagiado de Silo (idealmente por menos de cinco dias para evitar hérnias e infeções) e a inovadora técnica de fechamento sem sutura ("sutureless" ou "bedside closure"), que dispensa anestesia geral. Complicações sistémicas profundas incluem a dependência prolongada de nutrição parenteral e o risco de sépsis, mitigáveis através da implementação de protocolos rigorosos de alimentação precoce e técnicas como o "sham feeding" para prevenir aversões orais. Conclusão: Conclui-se que a Gastrosquise exige uma abordagem multidisciplinar e altamente individualizada. O local de nascimento em centros integrados, a otimização das técnicas cirúrgicas para minimizar a pressão intra-abdominal e a padronização do suporte nutricional são pilares fundamentais para reduzir as altas taxas de complicações e melhorar a qualidade de vida e a sobrevida a longo prazo destes recém-nascidos.
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