A RACIONALIDADE ALGORÍTMICA NA GESTÃO DE PESSOAS: RISCOS DA DESUMANIZAÇÃO NAS DECISÕES ORGANIZACIONAIS
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n59-002Palavras-chave:
Racionalidade Algorítmica, Gestão de Pessoas, Desumanização, Trabalho DigitalResumo
A incorporação crescente de algoritmos e sistemas de inteligência artificial nos processos de gestão de pessoas transforma as relações organizacionais ao substituir julgamentos humanos por decisões automatizadas. Este estudo analisa os riscos de desumanização decorrentes da racionalidade algorítmica nas práticas de gestão de pessoas, com ênfase nas dimensões ética, subjetiva e trabalhista desse processo. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica, com caráter exploratório e descritivo, sustentada pela análise sistemática de literatura científica nacional e internacional. Os resultados indicam que a gestão algorítmica restringe a autonomia dos trabalhadores, intensifica o controle organizacional e expõe sujeitos a riscos psicossociais que as estruturas normativas vigentes ainda não regulam de forma consistente. A análise revela que a eficiência computacional, quando desconectada de parâmetros éticos e humanísticos, produz ambientes de trabalho que reduzem o trabalhador a dado mensurável. O estudo conclui que a construção de marcos regulatórios e de práticas de gestão que articulem tecnologia e dignidade humana representa o caminho mais consistente para organizações que buscam desempenho sem abrir mão da responsabilidade social.
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