ABDOME AGUDO OBSTRUTIVO POR HÉRNIA INGUINOESCROTAL INDIRETA DE LONGA DATA: RELATO DE CASO
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n58-076Palavras-chave:
Hérnia Abdominal, Hérnia Inguinal, Abdome Agudo Obstrutivo, Pneumoperitônio Pré-OperatórioResumo
Hérnias inguinais são condições frequentes da parede abdominal que podem evoluir para complicações graves, podendo resultar em abdome agudo obstrutivo e necessidade de intervenção cirúrgica de emergência. Objetivo: Relatar e discutir a abordagem terapêutica de um caso de abdome agudo obstrutivo secundário a hérnia inguinoescrotal volumosa de longa evolução. Método: Estudo descritivo, do tipo relato de caso, baseado em revisão de prontuário, informações do cirurgião responsável e relato do paciente. Relato de caso: Paciente masculino, 72 anos, com comorbidades, admitido com dor abdominal intensa, distensão, vômitos fecaloides e ausência de eliminação de flatos e fezes. Relatava histórico de hérnia inguinoescrotal há 15 anos, irredutível há 45 dias. A tomografia evidenciou hérnia volumosa, com índice de Tanaka de 0,22, afastando perda de domicílio. Optou-se por abordagem cirúrgica imediata, sem pneumoperitônio pré-operatório, com herniorrafia pela técnica de Lichtenstein. Apresentou boa evolução, com alta no quinto dia e sem recidiva no seguimento. Discussão: O caso evidencia o impacto do atraso no tratamento eletivo, associado a maior risco de complicações. O índice de Tanaka foi fundamental no planejamento cirúrgico, permitindo avaliar o risco de síndrome compartimental abdominal e direcionar a conduta. A técnica de Lichtenstein mostrou-se segura e eficaz mesmo em contexto de urgência, na ausência de necrose intestinal. Conclusão: O caso descrito ressalta a importância da avaliação criteriosa associada ao uso de ferramentas preditivas para direcionar o manejo adequado. Além disso, contribui para o entendimento de estratégias que visam reduzir complicações pós-operatórias, aprimorando a prática cirúrgica e os desfechos clínicos.
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