MANEJO TERAPÊUTICO DO DIABETES MELLITUS EM FELINOS
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n58-057Palavras-chave:
Diabetes Mellitus Felina, Endocrinologia Veterinária, Insulinoterapia, Glargina, Felinos, Inibidores de SGLT2Resumo
A diabetes mellitus (DM) constitui uma das endocrinopatias de maior relevância na clínica médica de felinos, configurando-se como uma desordem metabólica crônica caracterizada por hiperglicemia persistente decorrente da deficiência na secreção de insulina, resistência periférica à sua ação, ou pela interação entre ambos os mecanismos fisiopatológicos. Em gatos, a enfermidade apresenta semelhanças substanciais com a diabetes mellitus tipo 2 humana, sendo frequentemente associada à obesidade, ao envelhecimento e à presença de enfermidades concomitantes, como pancreatite. Clinicamente, manifesta-se por poliúria, polidipsia, polifagia, e perda de peso progressiva, refletindo alterações significativas no metabolismo. A partir da literatura analisada, o tratamento contemporâneo baseia-se em uma abordagem multimodal, que integra manejo nutricional, insulinoterapia e, em alguns casos seletos, o emprego de agentes hipoglicemiantes orais. A intervenção dietética caracterizada por formulações com baixo teor de carboidratos e elevado conteúdo proteico, desempenha papel fundamental na redução da hiperglicemia pós-prandial e na otimização do controle metabólico. Paralelamente, análogos de insulina de ação prolongada, como glargina, detemir e protamina zinco, permanecem como pilares terapêuticos, demonstrando elevada eficácia na estabilização glicêmica e na indução de remissão diabética em parte dos pacientes. Avanços recentes incluem o uso de inibidores do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (SGLT2) e sistemas de monitoramento contínuo da glicose, que aprimoram o controle metabólico. Em suma, as evidências demonstram que o controle eficaz da diabetes mellitus felina depende da individualização terapêutica, da identificação de comorbidades e da adesão do tutor ao tratamento, sendo o diagnóstico precoce e o controle glicêmico intensivo fatores determinantes para a estabilização metabólica, melhor prognóstico e favorecer a remissão clínica.
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Referências
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