AZUL DE METILENO NO CHOQUE SÉPTICO REFRATÁRIO: REVISÃO INTEGRATIVA DAS EVIDÊNCIAS SOBRE EFICÁCIA HEMODINÂMICA E IMPACTO CLÍNICO
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n58-020Palavras-chave:
Choque Séptico, Azul de Metileno, Vasoplegia, Vasopressores, Terapia IntensivaResumo
O choque séptico refratário permanece associado a elevada mortalidade, apesar do manejo baseado em ressuscitação volêmica precoce, antibioticoterapia adequada e uso escalonado de vasopressores. A ativação exacerbada da via óxido nítrico–GMPc constitui mecanismo central da vasoplegia séptica, fundamentando o racional fisiopatológico para o uso do azul de metileno como inibidor da guanilato ciclase. Evidências recentes sugerem benefício hemodinâmico, porém persistem incertezas quanto ao impacto em desfechos clínicos robustos. Esta revisão integrativa analisou criticamente as evidências publicadas na última década acerca da eficácia, segurança e estratégias de administração do azul de metileno como terapia adjuvante no choque séptico refratário. A revisão foi conduzida conforme o referencial metodológico de Whittemore e Knafl, com busca sistematizada nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e ScienceDirect, no período de 2014 a 2024. Ensaios clínicos randomizados demonstraram redução significativa da duração do suporte vasopressor e aumento da pressão arterial média com a administração precoce do fármaco. Meta-análises recentes identificaram possível redução da mortalidade de curto prazo, além de diminuição do tempo de uso de vasopressores e redução do lactato sérico, embora com baixo grau de certeza devido à heterogeneidade metodológica e ao tamanho amostral limitado. Evidências observacionais corroboram o benefício hemodinâmico em cenários de refratariedade extrema, embora persista variabilidade nos regimes posológicos e ausência de padronização terapêutica. Conclui-se que o azul de metileno apresenta benefício hemodinâmico consistente no choque séptico refratário; contudo, apesar de sinais favoráveis quanto à mortalidade de curto prazo, a qualidade global da evidência permanece baixa a moderada, e sua incorporação rotineira depende da realização de ensaios clínicos multicêntricos robustos, com protocolos padronizados e avaliação de desfechos clínicos de longo prazo.
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