MANEJO TERAPÊUTICO DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA CONGESTIVA (ICC) EM CÃES
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n58-019Palavras-chave:
Insuficiência Cardíaca Congestiva, Manejo Terapêutico, Proteômica, Natriurese, Cardiologia VeterináriaResumo
A insuficiência cardíaca congestiva (ICC) é uma síndrome progressiva decorrente de alterações miocárdicas ou valvares, sendo as causas mais comuns em cães a doença valvar mitral mixomatosa (DVMM) e a cardiomiopatia dilatada. Este trabalho tem como objetivo realizar uma revisão bibliográfica narrativa sobre o manejo terapêutico da insuficiência cardíaca congestiva (ICC) em cães, evidenciando o potencial cardiotóxico da doxorrubicina, possibilidades de associações medicamentosas, estratégias de bloqueio neuro-hormonal, alterações proteômicas envolvidas na fisiopatologia da doença e métodos mais eficientes de avaliação clínica, visando potencializar a resposta terapêutica. A metodologia compreendeu a contemplação de artigos publicados nos últimos cinco anos na base de dados PubMed, com ênfase em protocolos farmacológicos e estratégias para um monitoramento clínico mais eficaz. Os resultados indicaram que os protocolos atuais para ICC secundária à DVMM priorizam o bloqueio duplo do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA). Na fase aguda, a furosemida intravenosa permanece padrão-ouro, juntamente à natriurese como marcador prognóstico. Adicionalmente, a monitorização da cardiotoxicidade por doxorrubicina e o uso de biomarcadores proteômicos representam avanços cruciais na individualização do tratamento e ampliam o manejo e compreensão da doença. Conclui-se que a otimização do manejo terapêutico da ICC em cães depende da integração de terapias multimodais, aliada ao uso de biomarcadores e monitoramento individualizado. A implementação do bloqueio duplo do SRAA demonstra maior aumento da sobrevida, enquanto a mensuração de natriurese é utilizada como indicador da eficácia diurética. Adicionalmente, a vigilância contra a cardiotoxicidade de fármacos e o potencial diagnóstico da proteômica são fundamentais para o estadiamento precoce, permitindo intervenções mais direcionadas.
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