MANEJO TERAPÊUTICO DA NEUROTOXOPLASMOSE: PROTOCOLOS DE PRIMEIRA LINHA
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n57-080Palavras-chave:
Neurotoxoplasmose, Toxoplasmose Cerebral, Toxoplasma gondii, HIV/AIDS, Imunossupressão, Neuroimagem, Tratamento Antiparasitário, Infecções Oportunistas do Sistema Nervoso CentralResumo
A neurotoxoplasmose é uma doença oportunista grave do sistema nervoso central (SNC), causada pela reativação dos cistos do protozoário intracelular Toxoplasma gondii. Configura-se como a principal causa de lesões expansivas intracranianas em indivíduos imunossuprimidos, notadamente em pessoas vivendo com HIV/AIDS com imunodeficiência avançada, bem como em transplantados e pacientes em uso de terapias imunomoduladoras modernas. Este estudo objetivou sintetizar as evidências contemporâneas sobre o diagnóstico e os protocolos de primeira linha para o manejo da neurotoxoplasmose, com ênfase em condutas práticas e controvérsias atuais. O manejo clínico exige a integração entre a suspeição epidemiológica, a neuroimagem e a resposta terapêutica precoce. O diagnóstico é majoritariamente presuntivo, sustentado pela combinação de quadro clínico compatível e achados típicos em neuroimagem, como o realce anelar e as lesões multifocais, sendo a Ressonância Magnética (RM) o método de escolha, embora a Tomografia Computadorizada (TC) seja amplamente utilizada em cenários de emergência ou com recursos limitados. Testes confirmatórios, como a detecção do DNA do T. gondii por PCR no líquor, possuem alta especificidade, mas sensibilidade variável, reforçando que um resultado negativo não exclui o diagnóstico. O tratamento de primeira linha permanece centrado na terapia combinada de pirimetamina e sulfadiazina com resgate de ácido folínico, o regime "padrão". Contudo, o trimetoprim-sulfametoxazol (SMX-TMP) tem crescido como uma alternativa eficaz e preferencial em determinados protocolos contemporâneos, destacando-se pela acessibilidade, menor custo e melhor perfil de adesão. Apesar dos avanços, as terapias atuais controlam a infecção, mas não são eficazes na eliminação dos cistos teciduais latentes. Casos atípicos e o diagnóstico diferencial com linfoma primário do SNC justificam a reavaliação dinâmica e, ocasionalmente, a biópsia. Conclui-se que o sucesso terapêutico depende do reconhecimento precoce, da escolha adequada do esquema, do manejo de complicações e da vigilância em novas populações de risco relacionadas a imunoterapias.
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