MANEJO TERAPÊUTICO DO BLOQUEIO ATRIOVENTRICULAR TOTAL (BAVT): ESTABILIZAÇÃO AGUDA E SUPORTE VITAL
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n57-079Palavras-chave:
Bloqueio Atrioventricular, Marcapasso Cardíaco Artificial, Distúrbios da Condução Cardíaca, Terapia de Ressincronização Cardíaca, Suporte Avançado de VidaResumo
O bloqueio atrioventricular total (BAVT) constitui uma condição clínica potencialmente grave, caracterizada pela dissociação completa entre atividade atrial e ventricular, podendo evoluir com instabilidade hemodinâmica e risco de morte súbita. Esta revisão narrativa teve como objetivo sintetizar evidências recentes acerca da etiologia, apresentação clínica, estratégias de estabilização aguda e manejo terapêutico do BAVT, com ênfase na identificação de causas reversíveis e nas indicações de suporte definitivo. Observou-se ampla heterogeneidade etiológica, com predomínio de casos idiopáticos em adultos jovens, embora distúrbios metabólicos, alterações eletrolíticas, isquemia miocárdica, sarcoidose e toxicidade medicamentosa também tenham sido descritos. Em pediatria, parcela significativa dos pacientes apresenta diagnóstico precoce e evolução assintomática inicial, porém com alta taxa de necessidade de implante de marcapasso ao longo do seguimento. A identificação de causas reversíveis, como intoxicação farmacológica ou inflamação miocárdica, mostrou impacto direto na conduta, podendo evitar a implantação definitiva do dispositivo. Na ausência de reversibilidade, o marcapasso permanente constitui a principal estratégia terapêutica, sendo a escolha da via de implante dependente de fatores clínicos e anatômicos. Entre as complicações tardias, destaca-se a cardiomiopatia induzida por estimulação ventricular direita crônica, com potencial indicação de terapia de ressincronização cardíaca. Conclui-se que o manejo do BAVT requer abordagem sistematizada, investigação etiológica criteriosa e individualização terapêutica, especialmente em populações jovens, nas quais a definição precoce da causa pode impactar significativamente o prognóstico a longo prazo.
Downloads
Referências
IDE, N. et al. A case of complete atrioventricular block with extremely high blood concentration of azelnidipine. Journal of Pharmaceutical Health Care and Sciences, v. 7, n. 48, 2021.
JIČÍNSKÝ, M. et al. Natural History of Nonsurgical Complete Atrioventricular Block in Children and Predictors of Pacemaker Implantation. JACC: Clinical Electrophysiology, v. 9, n. 8, p. 1379-1389, 2023.
MARGOLIS, G. et al. Etiology of Early-Onset Complete Atrioventricular Block and Use of Implanted Cardiac Electronic Devices. Journal of the American College of Cardiology, v. 82, n. 18, p. 1804-1806, 2023.
PARK, I. et al. Intermittent complete atrioventricular block in a 20-year-old woman with cardiac sarcoidosis: a case report. European Heart Journal - Case Reports, v. 6, p. 1-5, 2022.
RAHMADHANY, A. et al. Complete atrioventricular block due to multisystem inflammatory syndrome in children: a case report. The Turkish Journal of Pediatrics, v. 64, p. 1125-1129, 2022.
SONG, L. et al. Experience of treating congenital complete atrioventricular block with epicardial pacemaker in infants and young children: a retrospective study. BMC Cardiovascular Disorders, v. 23, n. 575, 2023.
SÜLÜ, A. et al. Clinical Characteristics and Mid-term Follow-up in Children with Isolated Complete Atrioventricular Block. The Anatolian Journal of Cardiology, v. 27, n. 2, p. 106-112, 2023.