COMPLICAÇÕES TROMBOEMBÓLICAS NA COVID-19: O PAPEL DAS MUTAÇÕES GENÉTICAS NO ESTADO DE HIPERCOAGULABILIDADE

Autores

  • ⁠Ana Clara Ferin Rodrigues Author
  • Julia Micheletti Miarelli Author
  • Giovana Rodrigues de Souza Proença Gomes Author
  • Mariana Andrade Oliveira Author

DOI:

https://doi.org/10.56238/levv16n55-151

Palavras-chave:

Covid-19, Complicações, Hipercoagulabilidade, Mutações, Tromboembolismo

Resumo

Introdução: A COVID-19, doença causada pelo vírus Sars-CoV-2, tem sido associada à diversas complicações sistêmicas, entre elas se destacam as complicações tromboembólicas, como o tromboembolismo pulmonar, identificado entre os pacientes admitidos nas unidades de terapia intensiva (UTI), apresentando uma alta taxa de mortalidade. Ao infectar o indivíduo, o vírus gera um estado de hipercoagulabilidade, que na presença de fatores de risco, como a mutação do gene MTHFR, bem como do Fator V de leiden, predispõe a alterações vasculares com consequente desenvolvimento de eventos tromboembólicos. Dessa forma, torna-se relevante buscar a relação entre as complicações vasculares da COVID-19 e fatores genéticos que possam predispor a estes quadros. Objetivo geral: Nesse sentido, o objetivo deste estudo foi contextualizar as complicações tromboembólicas durante a infecção pelo vírus Sars-CoV-2. Metodologia: Foi realizada uma revisão bibliográfica a partir de pesquisa manual por artigos científicos publicados entre 2019 e 2024  nas plataformas Scielo e PubMed, utilizando como critério de inclusão a associação entre a infecção pelo Sars-CoV-2 e eventos tromboembólicos. Resultados: Os resultados demonstraram uma forte associação entre a endotelite causada pela infecção e os fatores genéticos que levam à hipercoagulabilidade, resultando em complicações vasculares e eventos tromboembólicos. O Sars-CoV-2 infecta as células hospedeiras através de sua ligação com a enzima conversora de angiotensina 2 (ECA-2), de pneumócitos e células endoteliais, levando à downregulation da enzima, elevando os níveis séricos de angiotensina II. A infecção pelo vírus ativa a imunidade inata, com produção de interferons, que atraem macrófagos secretores de citocinas pró-inflamatórias, como a IL-1, IL-6 e TNF-α.  Entre as mutações mais citadas, destacam-se o polimorfismo C677T do gene da enzima metilenotetrahidrofolato redutase (MTHFR), que leva à hiperhomocisteinemia, assim como à mutação G1691A do gene fator V, uma das  principais causas de resistência à proteína C ativada (PCA), ambas comprometem a cascata de coagulação, levando o indivíduo à trombofilia. Para demonstrar o estado de hipercoagulabilidade, o dímero-D, produto da degradação da fibrina, foi amplamente citado em estudos como marcador  prognóstico  e se mostrou especialmente elevado em pacientes já em estados mais críticos dentro das UTIs. Conclusão: Dessa forma, é possível estabelecer a relação entre a infecção pelo vírus Sars-CoV-2 e eventos tromboembólicos causadores de múltiplas complicações. Os mecanismos e mutações ainda são investigados e detalhados, para identificação de biomarcadores mais precoces e eficazes, do estado pró-trombótico dos pacientes infectados.

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Publicado

2025-12-30

Como Citar

RODRIGUES, ⁠Ana Clara Ferin; MIARELLI, Julia Micheletti; GOMES, Giovana Rodrigues de Souza Proença; OLIVEIRA, Mariana Andrade. COMPLICAÇÕES TROMBOEMBÓLICAS NA COVID-19: O PAPEL DAS MUTAÇÕES GENÉTICAS NO ESTADO DE HIPERCOAGULABILIDADE. LUMEN ET VIRTUS, [S. l.], v. 16, n. 55, p. e11514 , 2025. DOI: 10.56238/levv16n55-151. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/LEV/article/view/11514. Acesso em: 27 jan. 2026.