ENTRE A IDEALIZAÇÃO E A SUSPEITA: DESEJO E CIÚME EM SENILIDADE E DOM CASMURRO
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n61-016Palavras-chave:
Desejo Mimético, Ciúme, Machado de Assis, Italo Svevo, Relações AmorosasResumo
O presente artigo propõe uma leitura comparativa dos romances Senilidade, de Italo Svevo, e Dom Casmurro, de Machado de Assis, considerando as aproximações existentes na representação do desejo amoroso, do ciúme e da instabilidade subjetiva masculina. Parte-se da problemática das relações afetivas mediadas pela rivalidade e pela idealização, recorrentes nas duas narrativas. Objetiva-se analisar de que maneira Emilio Brentani e Bento Santiago constroem relações amorosas atravessadas pela suspeita, pela projeção imaginativa e pela dificuldade de reconhecer a alteridade feminina. Para tanto, procede-se a uma análise comparativa de caráter bibliográfico e interpretativo, fundamentada principalmente na teoria do desejo mimético de René Girard, além de contribuições críticas acerca das obras analisadas. Desse modo, observa-se que os protagonistas substituem progressivamente a mulher real por construções imaginárias produzidas por suas próprias inquietações subjetivas, fazendo com que o ciúme se torne elemento central de desestabilização identitária. Observa-se ainda que, em Dom Casmurro, o ciúme ultrapassa o plano temático e passa a estruturar a própria narrativa memorialística de Bento Santiago. Conclui-se, portanto, que ambos os romances representam o amor como experiência marcada pela rivalidade, pela imaginação e pela fragilidade das subjetividades modernas.
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