GRUPO “VIVA SAÚDE” E A PROMOÇÃO DA AUTONOMIA DE IDOSOS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n60-056Palavras-chave:
Pessoa Idosa, Atenção Primária à Saúde, Promoção a Saúde, AutonomiaResumo
O envelhecimento populacional no Brasil ocorre de forma acelerada e desigual, impondo desafios crescentes ao Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS). Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2023), observa-se aumento progressivo da proporção de pessoas idosas, com impactos diretos sobre a demanda por ações de promoção da saúde, prevenção de agravos e manutenção da autonomia funcional. Entre esses agravos, as quedas configuram-se como importante problema de saúde pública, associadas à perda de independência, medo de cair, isolamento social e aumento das morbidades. Este estudo tem como objetivo relatar a experiência do grupo “Viva Saúde”, desenvolvido em uma Unidade de Saúde da Família no município de Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, descrevendo as vivências e percepções associadas as práticas coletiva no cuidado da pessoa idosa, com ênfase na promoção da autonomia e no enfrentamento de fatores associados ao risco de quedas. Trata-se de um relato de experiência, com abordagem qualitativa e elementos descritivos, fundamentado em registros sistemáticos em diário de campo, observação participante, articulados à revisão da literatura científica recente. As atividades ocorreram em encontros semanais, realizados em espaço público do território, envolvendo exercícios funcionais voltados ao fortalecimento muscular, equilíbrio, mobilidade e marcha, com adaptações conforme as capacidades individuais. Os resultados evidenciaram elevada adesão, aumento da confiança corporal, percepções positivas relacionada a segurança do movimento, ampliação do repertório funcional, maior engajamento nas atividades de vida diária e fortalecimento dos vínculos sociais, mesmo diante de limitações estruturais e de financiamento. Conclui-se que práticas corporais coletivas, quando desenvolvidas de forma territorializada na APS, constituem estratégia potente para a promoção da autonomia, prevenção de quedas e cuidado integral à pessoa idosa.
Downloads
Referências
BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 510, de 7 de abril de 2016. Dispõe sobre as normas aplicáveis a pesquisas em Ciências Humanas e Sociais. Brasília: CNS, 2016.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Atenção Básica. Brasília: Ministério da Saúde, 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa. Portaria nº 2.528, de 19 de outubro de 2006. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
DELBAERE, K.; CLOSE, J. C. T.; BRODATY, H.; PERNICE, M.; SACHDEV, P.; LORD, S. R. Determinants of disparities between perceived and physiological risk of falling among elderly people: cohort study. BMJ, Londres, v. 341, p. c4165, 2010.
IBGE - INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2022: Resultados preliminares – população por idade e sexo. Rio de Janeiro: IBGE, 2023.
NERI, A. L. Qualidade de vida na velhice: enfoque multidisciplinar. Campinas: Alínea, 2013.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2005.
SHERRINGTON, C.; FAIRHALL, N.; WALLBANK, G.; TIEDEMANN, A.; MICHALSKI, B.; HOWE, T.; LORD, S. R. Exercise for preventing falls in older people living in the community: an abridged Cochrane systematic review. British Journal of Sports Medicine, Londres, v. 53, n. 17, p. 905–911, 2019.
VERAS, R.; OLIVEIRA, M. Envelhecer no Brasil: a construção de um modelo de cuidado. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 23, n. 6, p. 1929-1936, 2018.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Integrated care for older people (ICOPE): guidelines on community-level interventions to manage declines in intrinsic capacity. Geneva: WHO, 2019.
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). WHO global report on falls prevention in older age. Geneva: World Health Organization, 2017.