RECONFIGURAÇÃO DAS DOENÇAS NEGLIGENCIADAS FRENTE ÀS TRANSFORMAÇÕES SOCIOAMBIENTAIS DO SÉCULO XXI
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n61-035Palavras-chave:
Doenças Negligenciadas, Doenças Infecciosas, Saúde Pública, Vulnerabilidade Social, UrbanizaçãoResumo
OBJETIVO: Discutir a reconfiguração das doenças negligenciadas frente às transformações socioambientais do século XXI. MÉTODOS: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, de natureza descritiva e abordagem qualitativa, realizada nas bases PubMed/MEDLINE, Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram utilizados descritores indexados nos DeCS/MeSH, em português e inglês, como “Doenças Negligenciadas”, “Saúde Pública”, “Vulnerabilidade Social”, “Doenças Infecciosas” e “Urbanização”, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos artigos, dissertações, teses e documentos institucionais publicados entre 2017 e 2026, disponíveis na íntegra e relacionados às transformações socioambientais associadas às doenças negligenciadas. Após aplicação dos critérios de elegibilidade, 7 produções compuseram a análise final. RESULTADOS: A análise demonstrou associação entre vulnerabilidade social, deficiência sanitária, degradação ambiental e expansão urbana desordenada na manutenção e ampliação das doenças negligenciadas. Verificou-se expansão territorial de arboviroses, hanseníase, esquistossomose e doença de Chagas, além da adaptação de vetores a novos ambientes urbanos. Também foram identificadas fragilidades relacionadas à vigilância epidemiológica, subnotificação e insuficiência das políticas intersetoriais de enfrentamento. CONCLUSÃO: As transformações socioambientais contemporâneas modificaram significativamente os padrões epidemiológicos das doenças negligenciadas, exigindo fortalecimento da vigilância em saúde, ampliação das ações de saneamento básico e integração entre políticas ambientais, sociais e sanitárias. O trabalho contribui para ampliar a compreensão da relação entre ambiente, desigualdade social e persistência desses agravos no contexto da saúde pública contemporânea.
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