DOS EXISTENCIAIS HEIDEGGERIANOS AOS MODOS DE EXISTIR PATOLÓGICOS: UMA REFLEXÃO FENOMENOLÓGICA-EXISTENCIAL DO TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO
DOI:
https://doi.org/10.56238/levv17n61-007Palavras-chave:
Transtorno de Estresse Pós-Traumático, Fenomenologia, Daseinsanálise, Martin Heidegger, Ida Elizabeth CardinalliResumo
O presente trabalho realiza uma reflexão fenomenológico-existencial sobre o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), buscando transcender a fragmentação dos critérios diagnósticos puramente sintomatológicos. O objetivo geral consiste em compreender como o trauma desestrutura os existenciais fundamentais do Dasein, utilizando como base teórica a analítica ontológica de Martin Heidegger e a daseinsanálise de Medard Boss, articuladas às contribuições clínicas de Ida Elizabeth Cardinalli. Metodologicamente, a pesquisa caracteriza-se como uma revisão bibliográfica de caráter qualitativo e exploratório. Os resultados indicam que o TEPT se manifesta como um “congelamento temporal”, no qual o passado invade o presente e obstrui a abertura para o futuro, resultando em uma retração da corporeidade e da liberdade de movimento. Conclui-se que o fenômeno traumático rompe a familiaridade do mundo e a barreira de segurança virtual do indivíduo, transformando sua abertura existencial em um modo de ser restritivo e defensivo. A análise ressalta a importância de um olhar clínico despatologizante que considere o sofrimento como uma restrição ontológica do ser-no-mundo, possibilitando uma prática terapêutica voltada para a transição da identidade de vítima para a de sobrevivente e o resgate da fluidez existencial.
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