AVENTURA MARÍTIMA, EXISTÊNCIA E AMIZADE EM POE E MELVILLE: CONVERGÊNCIAS E TENSÕES SOB A ÓTICA DE ERICH AUERBACH

Autores

  • Ana Cristina Alves de Paula Barreto Author

DOI:

https://doi.org/10.56238/levv17n57-003

Palavras-chave:

Arthur Gordom Pym, Moby Dick, Amizade, Aventura Marítima

Resumo

Este artigo realiza uma análise comparativa entre A Narrativa de Arthur Gordon Pym (1838), de Edgar Allan Poe, e Moby Dick (1851), de Herman Melville, a partir de pressupostos teóricos de Erich Auerbach, especialmente no que concerne às formas de representação do real na literatura ocidental. As duas obras, embora provenientes de projetos estéticos distintos, convergem na utilização da aventura marítima como espaço privilegiado de investigação existencial, simbólica e narrativa. No romance de Poe, a travessia marítima se manifesta como experiência de desorientação e horror, articulada por uma sucessão de eventos extremos que tensionam os limites da verossimilhança. Essa forma narrativa aproxima-se de modos pré-realistas em que o sublime e o fantástico coexistem com a intenção documental. Em contraste, Melville elabora um realismo de amplitude enciclopédica, no qual observação factual, metáfora e reflexão filosófica se entrelaçam, dando à caça à baleia branca um caráter alegórico complexo e inesgotável. No plano das relações humanas, as obras apresentam tratamentos divergentes da convivência e da amizade entre tripulantes. Enquanto Poe privilegia vínculos frágeis e circunstanciais, frequentemente subordinados a dinâmicas de sobrevivência e ameaça, Melville constrói uma comunidade marítima heterogênea, marcada por rituais, funções organizadoras e pela emblemática amizade entre Ismael e Queequeg, que incorpora valores éticos de alteridade e solidariedade. A leitura comparativa revela ainda que, para ambos os autores, o mar funciona como força estruturante, condicionando riscos, encontros, identidades e reflexões metafísicas. Contudo, o modo de representação difere substancialmente: Poe investe em atmosferas de perturbação e incerteza, ao passo que Melville amplia o horizonte de significados, aproximando-se de um realismo moderno multifacetado. Assim, a análise demonstra que, apesar das diferenças estilísticas e estruturais, os dois romances exploram o mar como território narrativo e existencial, convertendo a viagem marítima em metáfora da busca humana por sentido. Sob a ótica de Auerbach, ambas as obras contribuem para compreender a pluralidade das formas realistas e a potência simbólica da literatura norte-americana do século XIX.

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Publicado

2026-02-03

Como Citar

BARRETO, Ana Cristina Alves de Paula. AVENTURA MARÍTIMA, EXISTÊNCIA E AMIZADE EM POE E MELVILLE: CONVERGÊNCIAS E TENSÕES SOB A ÓTICA DE ERICH AUERBACH. LUMEN ET VIRTUS, [S. l.], v. 17, n. 57, p. e12026, 2026. DOI: 10.56238/levv17n57-003. Disponível em: https://periodicos.newsciencepubl.com/LEV/article/view/12026. Acesso em: 4 fev. 2026.