‘ENTRE A PRECARIZAÇÃO E A MERCANTILIZAÇÃO DA MEDICINA: O MÉDICO VIROU EMPRESÁRIO?

Autores

  • Roberta de Vargas Ferreira Manfredi Autor
  • Robson de Oliveira Fraga Júnior Autor
  • Thiago de Barros Pigozzo Autor
  • Maria Luiza Marinho Saturnino Braga Autor
  • Thaís da Silva Calou Autor
  • Orama Valentim de Souza Braga Nunes Langoni Autor
  • Heitor Koch Sarmiento Nogueira Autor
  • Patricia Barros Bassani Autor
  • Henrique Soares Sell Autor
  • Marjorie Mezomo Bortolo Autor
  • Gabriela Gabi Zanin Autor
  • Elaine Alves Lacerda Souza Autor
  • Raphaela Anderson Colares Autor
  • Vanessa Dias Barbosa Autor

Palavras-chave:

Precarização, Pejotização, Código de Ética Médica, Constituição Federal, Contratos

Resumo

A medicina passou por significativas mudanças ao longo do tempo, sobretudo considerando o presente contexto social (¿). Isso porque, anteriormente, o médico era visto como uma autoridade pelos pacientes, que acatava todas as decisões referentes ao tratamento sem qualquer objeção. Desta forma, a atividade médica era tida como objeto de admiração e contemplação, revestida com notoriedade pública e prestígio econômico. Consequentemente,  no imaginário social - refletido em produções artísticas como novelas e filmes - esses profissionais eram retratados como indivíduos respeitados, bem-sucedidos e detentores de saúde perfeita. Tal estereótipo refletia e, ao mesmo tempo, reforçava a projeção simbólica desse “médico-herói”, cuja imagem ainda permeia, atualmente, o subconsciente coletivo e midiático. Hodiernamente, contudo, observa-se uma realidade distinta daquela outrora  atribuída ao profissional da Medicina. Nesse sentido, revela-se conveniente tecer algumas indagações acerca do mito de “Prometeu Acorrentado” e  a atual condição profissional médica, a fim de provocar a reflexão frente ao modelo cada vez mais comum de precarização e pejotização da Medicina. Traçar este paralelo entre Prometeu e o médico contemporâneo justifica-se pela discrepância entre a natureza ética da Medicina e os desafios enfrentados pelas exigências do mercado de trabalho, além de se contrastar com o ideal do médico-sacerdote perpetuado no imaginário social. Segundo o mito, Prometeu foi punido por Júpiter ao se opor à sua intenção de condenar a humanidade à condição irracional. Condoído com tal intento, Prometeu conseguiu se apoderar de uma faísca do fogo celeste, dotando, assim, o homem da razão e das faculdades necessárias ao cultivo da inteligência, das ciências e das artes. Assim, como castigo, foi acorrentado a um rochedo por Zeus, sendo condenado a ter seu fígado diariamente devorado por um abutre, por toda a eternidade. À luz dessa narrativa mítica e considerando o cenário atual de mercantilização e desvalorização da Medicina, propõe-se a seguinte reflexão, que talvez seja uma provocação que fique sem resposta: o médico virou empresário? Estaria o médico, assim como Prometeu, sendo punido por um sistema que o consome incessantemente? Ato contínuo, o presente artigo propõe-se a abordar questões éticas, jurídicas e jurisprudenciais que permeiam o tema da precarização e da pejotização da Medicina. Por fim, pretende-se apresentar medidas propositivas que contribuam para a superação das adversidades laborais e das repercussões jurídicas vivenciadas por este profissional da saúde na contemporaneidade.

DOI: 10.56238/edimpacto2025.060-001

Publicado

2025-08-11

Edição

Seção

Articles

Como Citar

Manfredi, R. de V. F. ., Fraga Júnior, R. de O. ., Pigozzo, T. de B., Braga, M. L. M. S. ., Calou, T. da S. ., Langoni, O. V. de S. B. N. ., Nogueira, H. K. S. ., Bassani, P. B. ., Sell, H. S. ., Bortolo, M. M. ., Zanin, G. G. ., Souza, E. A. L., Colares, R. A., & Barbosa, V. D. (2025). ‘ENTRE A PRECARIZAÇÃO E A MERCANTILIZAÇÃO DA MEDICINA: O MÉDICO VIROU EMPRESÁRIO?. Editora Impacto Científico, 1-18. https://periodicos.newsciencepubl.com/editoraimpacto/article/view/7183