THELAZIOSE EM CÃES: ASPECTOS CLÍNICOS, EPIDEMIOLÓGICOS E IMPLICAÇÕES ZOONÓTICAS – UMA REVISÃO DE LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.56238/ERR01v10n5-053Palavras-chave:
Thelazia, Cães, Parasitose Ocular, Zoonose, Moscas Vetoras, Diagnóstico, Controle, TratamentoResumo
A Thelaziose é uma parasitose ocular causada por nematoides do gênero Thelazia, que acomete cães, gatos e, ocasionalmente, humanos. O gênero foi descrito no século XVII, e desde então diversas espécies foram identificadas, destacando-se Thelazia callipaeda, de importância zoonótica. A transmissão ocorre por meio de moscas lacrimófagas do gênero Phortica, que ingerem larvas presentes nas secreções oculares dos animais infectados e posteriormente as depositam em novos hospedeiros, completando o ciclo biológico. Embora amplamente relatada na Europa e Ásia, a doença é pouco documentada no Brasil, apesar das condições climáticas e ambientais favoráveis à presença dos vetores. Os principais sinais clínicos incluem conjuntivite, lacrimejamento excessivo, fotofobia e secreção ocular, podendo evoluir para úlceras corneanas e infecções secundárias. O diagnóstico é feito pela observação direta dos parasitas nas estruturas oculares e análise microscópica das secreções. O tratamento baseia-se na remoção mecânica dos vermes associada ao uso de antiparasitários como ivermectina e moxidectina. O controle envolve medidas ambientais e prevenção da exposição a moscas vetoras, além da conscientização dos tutores. A escassez de registros nacionais reforça a necessidade de estudos epidemiológicos e de vigilância veterinária para avaliar a real ocorrência da enfermidade no país. Assim, compreender a dinâmica de transmissão e os fatores de risco é essencial para o diagnóstico precoce e o controle efetivo da thelaziose em cães, prevenindo também possíveis implicações zoonóticas.
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Referências
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